Cura-me – Fernanda Brum

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“Senhor, cura-me!”

“Então, romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será a tua retaguarda” (Isaías 58:8).

Toda e qualquer separação conjugal produz enormes feridas na alma dos envolvidos, seja nos maridos, nas esposas, nos filhos, e até mesmo no seio da família no geral. O certo é que nenhuma separação, por mais justificativas que se apresentem, faz germinar dias de paz. Não é preciso sermos grandes teólogos para sabermos que a essência de JESUS é voltada para a união, para a reconciliação, para a restauração. ELE próprio veio ao mundo, morreu em uma cruz e ao terceiro dia ressuscitou para que, através do Seu sacrifício de Amor e obediência, fôssemos reconciliados com DEUS: “mas Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades, o castigo que nos traz a paz estava sobre ele; e, pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53:5).

Filhos que crescem com pais separados, ainda que não concordem com a situação, vão se formar adultos aprisionados à ideia de que, a qualquer tempo, eles também poderão ser vítimas de uma destituição familiar. A maioria desses filhos possuem um trauma ao não quererem para si o casamento segundo DEUS orienta e abençoa. Antes, vão se conformar com a simples união estável, sob o pretexto de que será menos burocrático resolver uma separação futura. Não se casam, juntam-se ilicitamente a outra pessoa, pelo medo de serem assombrados pelo mesmo fantasma que, no passado, assombraram os seus pais. Aqueles que têm maior facilidade de aceitar como normal a separação dos pais, certamente, ao casarem, por qualquer motivo, também vão se separar e buscar em novos relacionamentos a felicidade pessoal. Para DEUS, ter relação sexual com o outro sem ser casado, é fornicação; e, praticar sexo sem ser com a pessoa com a qual nos casamos pela primeira vez, estando essa pessoa ainda viva, é adultério. De sorte que, maridos foram abençoados para viverem ao lado de suas esposas, e vice-versa. Qualquer dissertação científica que não contemple essa realidade serão palavras jogadas ao vento de pessoas que não conhecem nem temem o Evangelho de CRISTO. Os psicólogos, por exemplo, aconselham as pessoas a desistirem de casamentos que eles consideram falidos, sem conserto. Dizem logo a uma pessoa recém-separada: “procure recomeçar a sua vida sentimental, ao lado de outra pessoa”. De sorte que para a ciência, separações são eternas e que maridos e esposas devem, sim, viver separados um do outro. Mas o apóstolo Paulo escreveu algo bem diferente quando abordou a relação entre pessoas casadas, sem desconsiderar as grandes lutas que sobrevêm em um casamento. Paulo deu ênfase à importância dos casais casados estarem sempre juntos, manterem relação sexual, serem fiéis um ao outro, e nunca desistirem do matrimônio: “Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido. O marido pague à mulher o que lhe é devido, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o próprio corpo, mas tem-no o marido. Do mesmo modo, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos defraudeis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes à oração. Depois ajuntai-vos outra vez, para que satanás não vos tente por causa da incontinência” (1 Coríntios 7:2-5).

Porém, nos dias de hoje, é fácil demais encontrarmos pessoas que, embora se digam religiosas ou cristãs, não orientam as vidas segundo a Palavra de DEUS, e logo, por motivos que consideram imperdoáveis, buscam a separação. Pessoas que são vítimas e ao mesmo tempo se tornam culpadas, oprimidas, desajustadas emocionalmente, doentes da alma. Não é a solidão, o distanciamento, não é uma nova pessoa, que vão proporcionar a paz e a salvação. Quando nos separamos do cônjuge e insistimos em permanecer distantes dele, dizemos para DEUS que os pecados que ele cometeu são imperdoáveis para nós. Não conseguimos perdoar verdadeiramente o outro; e isso nos traz consequências terríveis, tanto no aspecto emocional como no espiritual. Um coração impiedoso, tanto da pessoa que repudiou como da pessoa repudiada, é um coração ferido, amargurado, aprisionado, distante de DEUS e sem salvação. Escrevo isso porque há cônjuges que desejam a restauração de suas famílias, mas sofrem bastante durante a caminhada no deserto, quando não conseguem se libertar das lembranças tristes do passado nem mesmo das cenas amargas do presente que seus maridos e esposas lhes causam. Essas pessoas precisam entender que é impossível uma família ser restaurada por DEUS sem que exista o perdão verdadeiro. E perdoar não é só útil, como necessário. Perdoar é se libertar de tudo aquilo que nos causa dor e sofrimento; é limpar o terreno do coração para que a pessoa, que no passado nos feriu, possa entrar e fazer morada outra vez. Nosso coração precisa estar limpo, não só daquilo que o nosso cônjuge nos causou ou nos causa, mas limpo também de nosso egoísmo, de nossa dureza e impiedade.

Por que precisamos urgentemente perdoar quem nos fez mal? Porque, primeiramente, somos cristãos, à imagem e à semelhança de DEUS fomos formados. E, também, como igualmente pecadores que somos, precisamos do perdão de DEUS em nossas vidas. Observe o que disse JESUS: “Pois se perdoardes os homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós. Porém, se não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial não perdoará as vossas” (Mateus 6:14-15); “Por isso vos digo que tudo o que pedirdes em oração, crede que recebestes, e será vosso. E quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. Mas se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, não vos perdoará as vossas ofensas” (Marcos 11:24-26). JESUS nos mostra que o perdão, além de ser uma atitude, é também uma condição. Perdoar de boca, quando não se busca a reconciliação, é hipocrisia, mentira. O perdão que CRISTO nos dá resulta em nossa reconciliação com DEUS.

Em uma das célebres parábolas bíblicas, JESUS instruiu todos os Seus filhos sobre o exercício do perdão: “Então Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe respondeu: não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Por isso o reino de Deus pode ser comparado a certo rei que quis ajustar contas com os seus servos. E começando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo o que tinha, para que a dívida fosse paga. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso comigo e tudo te pagarei. Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários. Lançando mão dele sufocava-o, dizendo: paga-me o que me deves. Então o seu companheiro prostrando-se a seus pés, rogava-lhe: sê generoso comigo e tudo lhe pagarei. Ele, porém, não quis. Antes foi encerrá-lo na prisão, até que saldasse a dívida. Vendo os seus conservos o que acontecia, entristeceram-se muito, e foram relatar ao seu senhor tudo o que sucedera. Então o seu senhor, clamando-0, lhe disse: servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu igualmente compadecer-te do teu companheiro, como também eu me compadeci de ti? Assim, encolerizado, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse tudo o que devia. Assim vos fará também meu Pai celeste, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas” (Mateus 18:21-35).

Amado, amada do Senhor JESUS, talvez você até tenha um bom emprego, um bom salário, um bom carro ou uma boa casa. Talvez as coisas ao seu redor estejam super agradáveis, caminhando muito bem, dentro daquilo que você sonhou e planejou, mas dentro de você há uma raiz de incerteza, um incômodo espiritual que insiste em não sair, como um cárcere, uma prisão, algemas que prendem a sua alma e você não consegue mais ter paz nem a antiga comunhão com DEUS. Talvez a raiz da amargura se fez crescer e muito forte dentro de você, seja por um passado distante ou um passado recente, de alguém que te fez muito mal, te feriu bastante, te jogou na sarjeta da solidão e da humilhação, e não soube alcançar as suas expectativas pessoais. A razão de tudo isso é muito simples: você, até a presente data, ainda não perdoou verdadeiramente e nem buscou a exata reconciliação com essa pessoa. Se foi com um amigo, procure-o, libere perdão, e volte a ser amigo dele. Se foi com algum parente, com o qual você até nem mais fala, aja da mesma maneira, liberando perdão e voltando a falar com essa pessoa. Agora, se o problema foi com o teu cônjuge, com o qual verdadeiramente você é casado (a) legitimamente para DEUS, mais necessidade existe para esse perdão. Não importa o que ele ou ela tenha feito contra você. Perdoe e reconcilie-se com ele ou ela. Você não nasceu para viver separado dele (a). DEUS os fez uma só carne e terá que ser assim até que a morte os separe. Se não for assim, não haverá salvação, pois o casamento é a única instituição que é comparado à relação de CRISTO com a sua igreja. Você leu o que Pedro perguntou a JESUS, quantas vezes ele deveria perdoar, se até sete vezes? Leu também atentamente a resposta dAquele a quem você chama SENHOR? ELE respondeu em outras palavras: “quantas vezes forem necessárias devemos perdoar para que o Pai celestial também perdoe os nossos pecados”.

Não deixe mais o tempo passar. Quanto mais ele passa, mais a raiz da amargura, da dureza, da impiedade, vai se fortalecer dentro de sua alma. Você não terá a paz de CRISTO e a comunhão com o Espírito Santo, se não estiver no estado em que DEUS te colocou e te abençoou e quer te abençoar muito mais. Agora, se você foi repudiado (a) e deseja a restauração da sua família, você também pode fazer o mesmo em relação ao seu cônjuge. Pare de sofrer! Pare de olhar para as circunstâncias! Pare de trazer à memória aquilo que lhe causa dor e tristeza. PERDOE O SEU CÔNJUGE EM ORAÇÃO! Libere essa bênção o mais rápido possível, não ande mais com essa prisão em seu coração, buscando a cura da sua alma através do perdão. Ao fazer isso, então te acontecerá o que escreveu o profeta: “Então, romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será a tua retaguarda” (Isaías 58:8). Você terá sua família restituída e abençoada! Que o SENHOR nos abençoe, aplicando essa Palavra em nosso coração.

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é Pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo.

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Crônica sobre o louco da Quintino Bocaiúva e o pregador da Praça da Sé

“E ali haverá um alto caminho, um caminho que se chamará O Caminho Santo; o imundo não passará por ele, mas será para o povo de Deus, os caminhantes; até mesmo os loucos não errarão” (Isaías 35:8).

Não sabia ao certo se ele era louco. Mas aquele senhor, aparentando pouco mais de 60 anos de idade, olhos arregalados, bem na esquina da Quintino Bocaiúva, centro da capital paulista, segurava firmemente, em uma das mãos, a Bíblia Sagrada. Ia de um canto a outro, anunciando a salvação em CRISTO JESUS, com uma voz um tanto exaltada, aparência um pouco assustadora, para os que ali passavam dirigindo-se para os seus negócios ou as suas ociosidades.

Nunca tive a certeza de sua confusão mental. Mas em algum momento pude ouvir o texto que saia de sua boca, em tom aparentemente descontrolado: “…nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros (…) herdarão o reino de Deus” (1 Coríntios 6:9-10).

“Meu Deus, foi o exato texto que eu havia lido há alguns dias quando da pregação que ministrei em uma igreja da Zona Leste de São Paulo, cujo pastor-presidente não gostou muito, não”, afirmei em meu pensamento.

Aquele cidadão da Bocaiúva parecia um pastor renomado, pregando em um púlpito de luxo para uma multidão atenta, não muito satisfeita com o que repercutia da sua voz, com uma autoridade vinda dos Céus. Porém, ele não se importava se a plateia era inexistente, indiferente, ou que, quando parava para ouvi-lo, fazia apenas para escarnecê-lo. Mesmo assim, não se detinha em sua missão: anunciar o Evangelho de Salvação. Por isso bradava cada vez mais forte: “adúlteros não herdarão o reino de Deus!”

Talvez a cidade estivesse mesmo repleta de pessoas escravas desse mal, conscientes ou inconscientes. Mas o que fazer? A própria Palavra de DEUS afirma que quem vive de acordo com o mundo jaz no maligno. O que preocupa e entristece verdadeiramente são os templos, que carregam o nome do SENHOR JESUS, estarem cheios de adúlteros e adúlteras, também conscientes e inconscientes.

O pecado do adultério começa mesmo no olhar, como bem disse JESUS. Ele se manifesta quando uma pessoa casada cobiça uma outra, deseja sexualmente uma terceira pessoa que não é o cônjuge. Do olhar à relação sexual ilícita. Da vida à morte. Hoje em dia é muito comum encontrarmos casamentos que não funcionam bem especialmente por causa do pecado do adultério e pessoas impacientes, impiedosas, envolvidas, querendo a separação a qualquer custo. Muitas das quais não alicerçam a própria vida e a família segundo as Sagradas Escrituras. E tudo onde DEUS não se faz presente tende a ruir. O problema não é o pecado em si, mas a falta de temor a DEUS quando se pratica. Afinal, o rei Davi foi um dos maiores adúlteros da história, mas como todo bom e servo de DEUS, arrependeu-se e abandonou o pecado, chegando a receber o seguinte reconhecimento da parte do PAI: “(…) Achei Davi, filho de Jessé, varão conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade” (Atos 13:22). Davi, que até tinha mandado matar na linha de combate Urias, o marido de Bate-Seba, a qual cobiçava, encontrou em DEUS tempo de arrepender-se e abandonar: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo o teu constante amor; segundo a tua compaixão, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões; e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal diante dos teus olhos, de modo que és justificado quando falas, e puro quando julgas” (Salmos 51:1-4). Diferentemente de Saul que o antecedeu no trono, Davi cometeu aos olhos humanos pecados muito mais graves. Porém, a maneira como Davi reagiu ao mal que praticou agradou a DEUS. Ele se arrependeu, teve temor, abandonou tudo de ruim e morreu com a Palavra de DEUS em sua boca: “O Espírito do Senhor fala por mim, e a sua Palavra está na minha boca. Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: quando um justo governa sobre os homens, quando governa no temor de Deus, é como a luz da manhã ao sair do sol de uma manhã sem nuvens, como o esplendor depois da chuva que faz brotar da terra a erva. Não está assim com Deus a minha casa? Não estabeleceu ele comigo uma aliança eterna, em tudo bem ordenada e segura? Não fará ele prosperar toda a minha salvação e todo o meu desejo? Porém os filhos de belial serão todos lançados fora como os espinhos, pois não se pode tocar neles. Mas todo aquele que os tocar deve usar uma ferramenta de ferro ou a haste de uma lança; a fogo serão totalmente queimados no mesmo lugar” (2 Samuel 23:2-7).

Ao final de uma das pregações em São Paulo, uma mulher aproximou-se de mim e exclamou, sem nenhum constrangimento: “Pastor Fernando, segundo a Palavra de DEUS eu sou adúltera, moro com um homem que não é meu. Mas continuarei adúltera, enquanto o Espírito do SENHOR não me incomodar”. O que a irmãzinha proferiu nada mais é que o retrato da omissão de pastores e líderes no que se refere ao tema casamento. Quando falam, referem-se apenas à família constituída, dando instruções básicas de como cada um deve se comportar em seus lares à luz da Palavra de DEUS. As pessoas separadas e divorciadas são completamente ignoradas nos sermões preparados nos púlpitos. São como se carregassem em si o mal da lepra, e não tivessem voz nem oportunidade de serem curados e restaurados. Mas o JESUS que curou os leprosos há de restaurar todos os casamentos de quem busca e espera NELE. Por isso, quando se diz que o segundo, terceiro e quarto casamento, segundo JESUS, é adultério, a igreja se espanta e percebe o quanto está longe da presença de DEUS, pois muitos já se tornaram oficialmente adúlteros pela conivência, heresia e irresponsabilidade dos seus líderes.

Aquele louco de Bocaiúva não teve medo de bradar a Verdade. Muito mais: não teve medo de ser apedrejado naquela transversal movimentada, ser posto em uma cruz, lançado vivo em uma fogueira ou ter a cabeça posta em uma bandeja, como fizeram no passado com João Batista. Para a maioria, um fanático, lunático, alienado, que merecia ser internado em alguma clínica psiquiátrica. Para DEUS, um João Batista dos tempos moderno.

Caminho mais um pouco e chego até a famosíssima Praça da Sé, onde vejo uma escultura gigante do apóstolo Paulo, logo na entrada. A Praça da Sé é um dos principais pontos turísticos de São Paulo. Ora, reservei o dia para passear um pouco e reviver a metrópole mais movimentada da América Latina. Mas o Espírito do SENHOR me acompanha para onde vou. Vejo adiante uma grande quantidade de pessoas fazendo um círculo em volta de um outro homem, terno e gravata, sem microfone, com aspecto mais equilibrado, pregando a Palavra de DEUS. Parei para ouvi-lo. Uma das coisas que mais me chamou atenção foi quando ele afirmou que não estava ali para dizer o que as pessoas queriam ouvir, mas o que elas precisavam ouvir. Era mais um corajoso que aparecia em minha frente. Ele disse em alto e bom som: “irmãos, se eu estivesse aqui para agradá-los, estaria rico, talvez milionário, como muitos outros pregadores por aí estão. Quase todos vocês iriam depositar grandes fortunas, valores financeiros exuberantes; sairiam daqui com o ego massageado, mas com uma esperança infrutífera. Entretanto, estou aqui para ensinar a Palavra de DEUS, independentemente se vou agradá-los ou não”. Que bênção!

Logo em seguida, o pregador lê uma passagem de Paulo na Bíblia Sagrada: “Portanto, se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra. Pois morrestes e a vossa vida está oculta com Cristo, em Deus” (Colossenses 3:1-3). “As coisas da terra que devemos rejeitar não é uma planta, nem o rio. Mas a cobiça, a avareza, a idolatria e o adultério”, complementou o anônimo evangelista.

É… sem dúvida alguma, DEUS queria, naquela tarde, deixar algo plantado em nossos corações, no meu e no coração dos demais ouvintes: uma palavra viva, de exortação, de repreensão e também de confirmação. ELE teve uma mensagem específica para anunciar através dos seus dois servos: que está muito triste e incomodado com o adultério. ELE pede que nos arrependamos, abandonemos o pecado e vivamos uma vida de santidade. Por duas vezes, em poucos metros que separavam um e outro, NOSSO SENHOR insistiu com a mesma palavra: “Adúlteros não entrarão no Reino do Meu PAI!”

Às pessoas presentes, um alerta. A mim, a confirmação da Verdade de tudo o que tenho crido, escrito e pregado nas diversas igrejas por onde passei e ainda vou passar. A nós do Ministério Restaurando Famílias para CRISTO, a certeza de que estamos no caminho certo: renunciando a nossa carne, combatendo o adultério, convidando as pessoas a se arrependerem e a buscarem a restauração dos seus legítimos casamentos através do Poder de DEUS. Afinal, como bem escreveu o profeta Isaías no versículo de abertura: HÁ UM CAMINHO SANTO, POR ONDE SÓ OS JUSTOS E SANTOS ANDARÃO E NEM OS LOUCOS O ERRARÃO. Um dia, eu, você, o “louco” da Quintino Bocaiúva e o pregador anônimo da Praça da Sé estaremos assentados, frente a frente, no Grande Banquete celestial com o Nosso SENHOR e SALVADOR JESUS CRISTO para nos alegrarmos eternamente com ELE na Glória de DEUS. Aleluia! Ora vem, SENHOR JESUS!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é Pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo.

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A doutrina do “toma lá dá cá”

“Não ajunteis tesouro na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.” (Mateus 6:19-20)

 

Nos últimos tempos, temos assistido ao crescimento assustador das denominações religiosas, cujos líderes adotaram a famosa “teologia” da prosperidade como doutrina e conduta de fé. Diferentemente daquilo que JESUS e toda a Bíblia ensinam sobre prosperidade e vida cristã repleta de dificuldades e aflições, os aproveitadores de plantão, negociadores da fé alheia, enganam incautos, pessoas ávidas por receberem algum tipo de recompensa material de DEUS, com ensinamentos completamente distorcidos e comportamentos nefastos.

O certo é que esse mal se alastrou rapidamente como uma epidemia descontrolada, chegando a confundir os verdadeiros ensinamentos de DEUS, superlotar templos e a tornar cada vez mais ricos falsos líderes que só intentam amealhar riquezas para si próprios.

Segundo alguns estudiosos, a doutrina que ensina o homem a fazer barganhas com DEUS surgiu nos Estados Unidos, próximo à metade do século XX, e logo se difundiu pelo mundo. Quase todo o material que se tem publicado sobre o assunto atribui a Essek William Kenyon, ex-pastor das igrejas batista, metodista e pentecostal, a responsabilidade de ter desenvolvido tais ideias satânicas. De acordo com ele, o poder da mente, a inexistência das doenças e o poder do pensamento positivo seriam a chave para uma vida de conforto, longe de aflições e problemas, e cada vez mais próspera materialmente. Discípulo de Kenyon, Kenneth Hagin foi outro que abraçou com fervor a causa da prosperidade material, da busca pelas riquezas, afirmando que “Deus está, na verdade, interessado no sucesso financeiro de cada um, mas que, para isso, o interessado deveria antes doar o seu dinheiro, todos os seus bens, com o propósito de estar investindo na obra do SENHOR”. Aos 16 anos, Hagin diz ter recebido uma revelação quando lia Marcos 11:23-24, entendendo que tudo se pode obter de DEUS, desde que a pessoa declare o que deseja em voz alta, sem duvidar, e ainda que as evidências demonstrem o contrário. Ainda conforme esse líder religioso, DEUS dá autoridade aos seus profetas nos dias atuais, como seus porta-vozes: “Reconheço que se trata de uma unção diferente… é a mesma unção, multiplicada cerca de cem vezes” (Compreendendo a Unção, pág. 07).

Aliás, os adeptos à doutrina do “toma lá dá cá” usam quase os mesmos jargões, clichês exaustivamente ensaiados, que visam a alienar os seguidores, quase sempre de baixa renda, com pouca ou nenhuma escolaridade, que não examinam as Sagradas Escrituras, e, quase sempre, são pessoas que estão atravessando grandes problemas de ordem afetiva, financeira, profissional ou de saúde. “Você estará colhendo a mesma espécie que plantar. Quem doa tudo o que tem para a ‘Casa do Tesouro’, recebe em troca casas, carros, empregos, pomposos aumentos salariais, curas, libertação do cônjuge, restauração do casamento e muitas outras benfeitorias”; “DEUS está interessado no bom andamento das suas finanças”; “Pare de se lamentar, de chorar, DEUS não quer que você sofra nem viva uma vida de miserabilidade”; “A partir de hoje declare para você mesmo com muita fé: eu vou semear para colher cem vezes mais”; “DEUS vai restituir tudo o que satanás roubou de você”, e outros motes bastante conhecidos. O verbo mais citado nas reuniões de prosperidade não poderia ser outro, senão o verbo restituir. Repetem-no tanto, nos mais variados tempos e modos, que chegam a criar uma verdadeira “lavagem cerebral” no indivíduo que o recebe, como uma hipnose ou um estado de alienação constante que deixará a pessoa totalmente dependente dessas artimanhas. Por conta de uma capacidade extraordinária de persuasão junto aos ingênuos na fé e também da facilidade fiscal brasileira em abrir templos religiosos, que essas lideranças contraíram para si grandes riquezas, mansões, jatinhos particulares, empresas superpoderosas, filhos estudando no exterior nas melhores universidades; e converteram a verdadeira adoração a DEUS em show da fé. Prega-se todo e qualquer tipo de facilidade, menos a necessidade de renúncia do ser humano e a busca pela santificação. Segundo Norman Campbell, “o deus mamom atrai mais fiéis do que o CRISTO da Galiléia”.        

O fato triste, em tudo isso, é que alguns dos que antes eram considerados grandes homens tementes a DEUS, aos poucos, estão se juntando aos disseminadores dessa heresia. Definitivamente a avareza corrompeu o seu caráter cristão.

Mas, finalmente, o que a Bíblia diz sobre prosperidade? No Antigo Testamento, encontramos, pelo menos, dez diferentes palavras da língua hebraica que pertencem ao mesmo campo semântico da palavra prosperidade. Prosperar, segundo a Palavra de DEUS, não é obter vantagens pessoais ou ganhar dinheiro, mas obter um crescimento na relação do homem com DEUS. Vejamos alguns exemplos: O profeta Ezequiel relaciona prosperidade para a casa de Israel com uma videira que dá frutos (Ezequiel 17:1-10; Salmos 1:3). Com Josué, que assumiu a liderança do Povo no lugar de Moisés, DEUS relacionou a prosperidade em ser forte e corajoso, não temer e andar nos caminhos de santidade (Josué 1:1-9 e 3:5). Na oração de Neemias, encontramos outra definição para a prosperidade: praticar a misericórdia, isto é, ser bondoso e leal com DEUS e seus semelhantes (Neemias 1:11). Muitos outros textos definem o êxito e sucesso na vida com a conduta sábia, o discernimento e a perspicácia no trato com a instrução de DEUS (Deuteronômio 29:9; 1 Reis 2:3; Eclesiastes 10:10; 11:6). O povo de DEUS entendia que fazer o bem e agir corretamente na vida era ser próspero (Jó 21:13; Salmos 106:5).

Toda a Bíblia proclama que a obediência a DEUS é a causa direta da prosperidade dos justos (Gênesis 39:3-23; Isaías 48:15; Ezequiel 17:9-10 e Neemias 2:20). Entretanto, DEUS usa uma pedagogia justa e perfeita para que o justo alcance esse estágio de prosperidade. Assim, a Bíblia mostra que a prosperidade só pode ser adquirida através: 1) do sofrimento e pela Graça de DEUS (Isaías 53:10); 2) da fidelidade e lealdade a DEUS e ao Seu povo (Jeremias 13:7-10; Deuteronômio 6:9); 3) da busca do temor do Senhor (1 Crônicas 26:5); 4) da prática de justiça (Salmos 1:3); 5) da descida do Espírito Santo (Juízes 14:6; 19; 15:14). Mas a Palavra de DEUS também mostra que pessoas ímpias, injustas, que praticam o mal, podem igualmente prosperar, mas que essa prosperidade não cause inveja nem incômodo aos justos. O Salmo 37 é um belo exemplo da crise de fé causada pela prosperidade de pessoas más, opressoras, egoístas e descrentes. O salmista começa com uma recomendação: “Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenha inveja dos que praticam iniquidade. Porque cedo serão ceifados como a erva e murcharão como a verdura. Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra e, verdadeiramente, serás alimentado” (37:1-3).

O Novo Testamento também, em nenhum momento, afirma que os nascidos de novo teriam uma vida fácil e confortável aqui na terra. Ao contrário, todos que decidissem seguir a JESUS passariam por grandes sofrimentos, injustiças, aflições, perseguições. Quando digo que nós, cristãos, fomos chamados inicialmente para sofrermos, muitos se escandalizam, como se eu estivesse dizendo alguma heresia. O sofrimento, sim, deve ser a marca de todo cristão, pois se o NOSSO MESTRE padeceu por Amor de Sua igreja, nós teremos que sofrer o mesmo. Mas, assim também como ELE ressuscitou, os remidos pelo Seu Sangue serão glorificados. Essa é a verdadeira doutrina cristã-apostólica.        

Vamos agora ler algumas passagens do Novo Testamento, ou seja, passagens da época de JESUS e os apóstolos, tempos da Graça, e compararmos com aquilo que se prega pelos defensores da doutrina do “toma lá dá cá”:

“Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos, com muitas dores” (1 Timóteo 6:9-10);

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; e, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (2 Pedro 2:1-3) (grifo meu);

“E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lucas 12:15);

“Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem coloquem a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis; que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna” (1 Timóteo 6:17-19);

“Ouvi, meus amados irmãos. Porventura, não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?” (Tiago 2:5);

“Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Filipenses 4:12-13);

“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos. E assim, nós, que vivemos, somos entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal” (2 Coríntios 4:8-11);

“No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo: eu venci o mundo” (João 16:33).

Uma leitura, mesmo superficial dos evangelhos, mostra a total despreocupação de JESUS pelos bens materiais. Até porque o Seu reino não era deste mundo. A quem quiser segui-LO, aconselha a vender seus bens e dá-los aos pobres. NOSSO SALVADOR também disse que a riqueza dificulta a entrada no reino de DEUS. Aos pobres, famintos e sofredores, recomenda paciência. É evidente que esses ensinamentos são radicalmente opostos à “teologia” da prosperidade. Porém, isso não significa que riqueza, saúde, bem-estar devam ser repudiados pelos cristãos, pois, como afirma a Palavra, quem busca em primeiro lugar o reino de DEUS e a sua justiça, terá em acréscimo todas as coisas que são necessárias para a sua sobrevivência (ref. Mateus 6:33). Mas antes, JESUS nos orienta a não andarmos ansiosos quanto ao que iremos comer ou vestir, pois “essas coisas os gentios procuram. Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas elas” (Mateus 6:32).

Por outro lado, é preciso compreendermos que os verdadeiros Ministérios de DEUS devem ser sustentados financeiramente, através dos dízimos e ofertas alçadas, pelo povo de DEUS. Mas nada feito em forma de barganha: dar algo, buscando receber em troca. Infelizmente, muitos ingênuos deixam de abençoar a verdadeira Obra de DEUS para oferecer as suas finanças e os seus bens para homens que vivem a distorcer o Evangelho de CRISTO e encaminhá-los a uma vida de alienação religiosa. Os Ministérios sérios primeiramente são identificados porque ensinam a verdadeira e pura doutrina cristã, sem mácula nem contaminação alguma. Depois porque os milagres do SENHOR são evidentes, incontestáveis. Nesses Ministérios, o povo dá, abençoa sem interesse, compreende que a expansão do Evangelho se faz exclusivamente através do sustento dos fiéis; sofre, renuncia o próprio EU; é corrigido, disciplinado; reparte com o necessitado o que tem, e ainda assim é perseguido, afrontado, sofre grandes aflições; cai e se levanta; ora e recebe na mesma hora a Graça e o perdão de DEUS. É dessa maneira que os filhos de DEUS são aperfeiçoados em santidade. É assim que eles alcançam a maior e a melhor das prosperidades: a herança do Reino da Sua Glória e do Seu Amor. Que DEUS tenha misericórdia de nós e continue a nos abençoar!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é Pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo. 

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Revolução feminista x Submissão bíblica

“O deus feminino vai se transformar. Nós, mulheres, transformaremos tanto o mundo que não haverá mais lugar para o Deus masculino” (Naomi Goldenberg, em A Troca dos Deuses: o Feminismo e o Fim das Religiões Tradicionais).

 “As mulheres estejam caladas nas igrejas. Não lhes é permitido falar, mas estejam submissas, como também ordena a lei. Se, porém, querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; pois é vergonhoso que as mulheres falem na igreja” (1 Coríntios 14:34-35).

A Bíblia Sagrada está repleta de histórias de mulheres que se destacaram em seu tempo como exemplos de superação e de fé, numa época em que eram predominantemente desprezadas e rechaçadas. Ao contrário de uma parcela significativa de líderes religiosos, JESUS CRISTO conviveu, sem olhar de desconfiança, com todas que dELE se aproximavam, chegando até, a “mudar de opinião” em certa ocasião (leia Marcos 7:24-30). Os próprios Evangelhos registram a participação importante de muitas dessas mulheres, destacando-se a figura de Maria Madalena, considerada por gigantes da teologia cristã, como Gregório de Antioquia e Pedro Abelardo, apóstola dos apóstolos, embora saibamos que JESUS nunca delegou tal autoridade a nenhuma pessoa do sexo feminino.

Bem no início da igreja primitiva, a participação feminina se fez novamente importante. Personagens como Lídia, Febe, Priscila, Junia, Evódia atestam a influência da mulher no desenvolvimento da história cristã.

No entanto, com o passar do tempo, a mulher, vendo-se relegada a segundo plano, muitas vezes completamente ignorada, face às manifestações machistas, toma uma postura radical, e procura assumir um papel longe daquele que JESUS a colocou. A voz claramente machista atrelada ao desejo da mulher de se igualar espiritualmente àquele que lhe subjugava resultou em profundos prejuízos sociais, familiares e espirituais.

No final do século XIX, o pensamento teológico feminista deu seus primeiros passos, tendo como ponta-pé inicial o projeto desenvolvido pela presbiteriana estadunidense Elizabeth Cady Stanton, denominado A Bíblia da Mulher. Importante líder abolicionista e feminista em seu país, Cady Stanton, mesmo como cristã, não aceitava a interpretação, segundo ela machista, das Sagradas Escrituras. Assim, Cady persuadiu e incentivou a dezenas de mulheres, a partir de reuniões, a interpretar a Bíblia de maneira que a mulher fosse vista com igual importância das lideranças masculinas. O apóstolo Paulo, por exemplo, em muitas dessas reuniões, foi taxado de machista; assim como o próprio JESUS fora colocado à prova à luz da nova consciência da mulher. Essas reuniões, datadas em 1895 e 1898, abalaram o mundo protestante americano e delas nasceu a famosa obra citada anteriormente, em dois volumes. Mas a atuação de Cady não se limitou a tirar a mulher apenas de sua posição inferior, dentro de uma visão religiosa tradicional e conservadora. No início de 1850, ela foi uma das principais vozes na promoção dos direitos das mulheres em geral, como o direito ao divórcio e ao voto. As teses de Elizabeth Cady logo se espalharam para diversos países, influenciando seus líderes a lutarem pelos mesmos objetivos. No Brasil, quase todos os movimentos feministas beberam dessa fonte. Não seria estranho, por exemplo, se soubéssemos que todos os que lutaram pela liberdade da mulher em permanecer casada ou não, tivessem sido influenciados pela líder feminista mundial. Voltando ao aspecto religioso, na verdade, o anseio feminino era pelo estabelecimento de uma teologia feminista, destinada, inicialmente, na construção de pequenas comunidades, onde a voz da mulher ecoasse com mais força que o habitual. Logo, fundou-se a Aliança Internacional Joana D’Arc, instituída na Grã-Bretanha, no meio católico, em 1911, que visava a “assegurar a igualdade dos homens e das mulheres em todos os campos”. No lado protestante, outro importante movimento surgiu no período de 1956 a 1965, quando alguns líderes decidiram, influenciados pelas igrejas livres dos Estados Unidos, admitir suas mulheres ao pastorado. O movimento teológico feminista em crescente ascensão se impôs também dentro da igreja católica, quando, no Concílio Vaticano II, um grupo de mulheres, liderado por Gertrud Heinzelman, dirigia-se publicamente aos padres conciliares com o livre-manifesto: “Não estamos mais dispostas a calar”. Após esse Concílio, muitos outros manifestos ganharam força, tais como: “O Segundo sexo” (1949), da escritora francesa Simone de Beauvoir; “A mística da feminilidade” (1963), de Betty Friend; “A Igreja e o segundo sexo” (1968), da teóloga Mary Daly; e “Política do Sexo” (1969), de Kate Millet; representam um conjunto básico do feminismo contemporâneo. Todos os livros migravam para os mesmos objetivos: apresentar uma nova Bíblia dentro de uma perspectiva amplamente feminista; propor uma profunda revisão e reforma doutrinárias à igreja e à sociedade; destacar que, apesar dos condicionamentos da história eclesiástica, “nos Evangelhos sempre permanecem uma mensagem de esperança e fé tanto para homens como para mulheres”.

O certo é que a teologia feminista, hoje vista nas igrejas, surgiu à proporção que as várias organizações feministas, empenhadas nas lutas pela igualdade dos direitos civis, também cresciam. A mulher cristã, antes calada e submissa, muitas vezes a uma autoridade do lar vil, encontrou, nos movimentos seculares feministas que lutavam por sua emancipação no âmbito civil, a possibilidade de também se emancipar espiritualmente. A consciência da mulher, que antes vivia presa apenas à ideia de ter nascido da costela de um homem, experimenta agora uma profunda transformação, que lhe exigem papéis, lugares, condições, no mínimo, iguais aos dos homens. As estruturas patriarcais aos poucos vão desaparecendo e os templos cristãos sentindo o reflexo dessas mudanças.

A Conferência Mundial das Nações Unidas Sobre a Mulher, realizada em Pequim, na China, deu uma amostra evidente da influência da mulher. O encontro simplesmente deu ordem a todas as mulheres a marcharem em busca de suas liberdades individuais, transpassando as barreiras dos lares, escolas, igrejas, serviços sociais, sociedade civil e cultura. Se o movimento feminista recebe aquilo que exige, ninguém escapará de sua influência. O feminismo simplesmente desfaz tudo o que o Novo Testamento diz para e sobre a mulher, como se os conselhos e as determinações apostólicas só valessem para as mulheres de suas épocas e de suas culturas, não abrangendo as mulheres de hoje. Aquelas verdadeiramente de DEUS, que guardaram em seus corações os mandamentos do Espírito Santo e procuram vivê-los, foram e ainda são taxadas de coitadas, alienadas, antiquadas, que não conseguiram acompanhar a “evolução” do seu tempo. As igrejas cristãs liberais caíram nessa mentalidade diabólica. O desejo de ser e de fazer-se submissa é algo totalmente fora do contexto e do calendário de estudos dessas instituições religiosas, como se a submissão fosse uma agressão, um conceito diminutivo, agressivo e machista, algo que a categorizasse como a pior das espécies.

O feminismo com suas mazelas pretende defender a mulher, mas o que faz, na verdade, é destruir os pilares das famílias e os conceitos sagrados de DEUS. Acho salutar a mulher buscar e lutar por uma posição social, profissional, intelectual e financeira melhor. Não há pecado algum nisso. Desde que ela aceite a sua posição espiritual, como parte mais frágil, e seja diligentemente fiel a tudo o que DEUS quer que ela seja. As correntes feministas, que destroem a comunhão dessa mulher com o Seu Salvador, são as mesmas que erguem a bandeira do homossexualismo, do lesbianismo, da mulher totalmente independente, e a inspiraram a invadir os púlpitos, sob o pretexto de terem recebido de DEUS o chamado para serem pastoras. Desafio alguém me provar, com fundamentação neo-testamentária, uma só linha defendendo isso. Nem no Novo nem no Antigo Testamento as mulheres foram chamadas para liderar sobre um povo, no aspecto espiritual. O SENHOR DEUS escolheu somente homens para serem cabeças nas tribos de Israel. Quando essa função, atribuída exclusivamente ao homem, foi violada, muitas desgraças surgiram como consequência: Jezabel, a rainha adoradora de Baal; a rainha Atalaia, sórdida e assassina. JESUS estava rodeado de grandes mulheres, e não chamou nenhuma delas para ser apóstola. Todos os escolhidos por JESUS foram homens! Não significa dizer que JESUS tivesse proibido as mulheres de serem suas discípulas. Muito pelo contrário. Muitas delas O serviram de forma magnífica.

A Bíblia foi escrita por cerca de quarenta autores. O livro de Salmos, por exemplo, por diversos desses, e o livro aos Hebreus, provavelmente por Paulo. Mas nenhum livro da Bíblia teve uma mulher como autora. Dois nomes de mulheres aparecem no Antigo Testamento. Rute e Ester. O livro de Rute, que foi bisavó de Davi, foi escrito por Samuel; e o de Ester é de autoria desconhecida.

DEUS criou a mulher com uma clara função: ser ajudadora do homem. Tal dever não a faz com menos valor que o homem. Função e valor são palavras completamente diferentes. Homem e mulher têm igualdade em valor e essência para DEUS, porém, funções diferentes. À mulher-esposa, a função de ajudadora, edificadora do lar, submissa em tudo ao seu marido. Aos maridos, a função de serem líderes amorosos, sábios, gentis; amarem as suas esposas como CRISTO amou a igreja. O descuido de um não dá direito ao outro de fazer o mesmo. O que vejo hoje são mulheres querendo pagar na mesma moeda o péssimo tratamento que elas recebem dos seus maridos. Isso cria ódio, discórdia, separação e impiedade. Quando Paulo escreveu, inspirado pelo Espírito Santo: “As mulheres estejam caladas nas igrejas. Não lhes é permitido falar, mas estejam submissas, como também ordena a lei. Se, porém, querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; pois é vergonhoso que as mulheres falem na igreja” (1 Coríntios 14:34-35); tal silêncio, no contexto, é o mesmo que proibir a mulher de ensinar à congregação, o que não a impede de louvar e de executar determinados trabalhos. A mulher que se torna pastora sobre um povo está em rebeldia contra DEUS. Ela exerce o mesmo papel de uma esposa rebelde que, pelo simples fato de ter um salário bem maior que o do marido, sente-se no direito de dominar sobre o lar. São igrejas e lares que sobrevivem à custa de doenças espirituais. Mulheres devem ensinar somente a outras mulheres e crianças, quando forem mais velhas que as ouvintes. Nunca devem exercer autoridade sobre homens. Esse é o ensinamento elementar presente no conjunto doutrinário cristão-apostólico. O que foge a essa realidade não merece atenção alguma, pois provém do diabo.

Foi por conta da inversão dos papéis de homens e de mulheres que toda sociedade se tornou inimiga de DEUS; a igreja, herética e adormecida; e a família seriamente comprometida. Uma sociedade, uma igreja, uma família, que não procuram seguir os conselhos de DEUS a ferro e fogo, tendem rapidamente a se desmoronar, pois procuram executar serviços para os quais não foram chamadas. É como bem ilustrou o sábio Gary Fischer: “uma máquina de lavar roupas é uma invenção bem útil, mas faz um péssimo serviço lavando pratos ou cozinhando o almoço. Isto porque a máquina de lavar nunca foi projetada para lavar pratos ou preparar uma refeição. Foi projetada para lavar roupas, e, nesse papel, ela é de muito auxílio”. Enquanto as máquinas de lavar insistirem em lavar pratos, a nossa vida será sem paz e sem esperança de vitória. Que DEUS nos abençoe!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é Pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo. 

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“Eu quero pecar!”

“Vigiai justamente e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; digo-o para vergonha nossa” (1 Coríntios 15:34).

A Hamartiologia é a doutrina que explica o pecado. A palavra pecado é aplicada ao conjunto de obras, pensamentos, que desagrada a DEUS, aquilo que transgride a Sua Santa Palavra. Crendo dessa maneira, chegaremos à conclusão de que todos que vêm a esse mundo são transgressores, inimigos de DEUS por natureza. O apóstolo Paulo bem confirmou essa tese: “Porque todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus” (Romanos 3:23). O ser humano possui uma natureza deliberadamente pecaminosa. E há três elementos que contribuem para que ele permaneça nesse estado decaído: a carne, o mundo e os demônios. A carne deseja, o mundo convida e os demônios oprimem a pessoa a executar. Por isso, em toda a Bíblia, os filhos de DEUS são exortados a permanecerem afastados dessas três fontes de perigo e perdição.

Por sermos destituídos de DEUS, JESUS ensina que devemos experimentar um novo nascimento. Essa nova lavagem espiritual nos faz santos, separados, filhos tementes, aptos a caminhar em busca da santificação, “sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14). Ora, o novo nascimento nos foi dado pela fé e pela confissão de que JESUS é o Único SENHOR, que morreu e ao terceiro dia ressuscitou. Mas essa nova experiência não nos tornará anjos, seres sem pecado, perfeitos em nossa caminhada cristã, imunes à queda. Ao contrário, um pecador remido, lavado pelo Sangue de JESUS, regenerado, continua sua natureza frágil, imperfeita, porém, agora, com uma grande diferença: temente ao Evangelho da salvação. “Porque sete vezes cairá o justo e se levantará; mas os ímpios ficarão prostrados na calamidade” (Provérbios 24:16) (grifo meu).

A diferença entre um pecador opresso e um pecador remido está exatamente na reação que cada qual tem da prática pecaminosa. Enquanto o opresso age sem temor e repetidas vezes, ainda que saiba que a atitude dele está ferindo a outra pessoa e o levando à perdição, o remido quando mente, adultera, enfim, faz qualquer coisa que desagrada a DEUS, logo vem o arrependimento, as lágrimas, o abandono. Não tratemos isso de forma mecanizada, como se todos os remidos tivessem o mesmo nível espiritual ou como se todos fossem seres robotizados. Há pessoas que já experimentaram o novo nascimento, mas que ainda não desenvolveram uma maturidade espiritual suficiente para abandonar de vez o pecado que o persegue. Elas vão caindo e se levantando, caindo e se levantando, até alcançarem a plenitude da Graça de DEUS em suas vidas.

Quero, pois, direcionar este estudo à realidade espiritual do cônjuge opresso. Embora não seja comum ouvirmos de alguém que está em opressão espiritual (considere essa expressão no sentido de tormento espiritual causado pelos demônios), da própria boca (“eu quero pecar!”), o seu coração já fez tal afirmação. Um marido que luta bastante pela restauração do seu casamento, abandonado pela esposa, ouviu dela a seguinte expressão: “eu sei que estou errada, mas eu quero pecar, viver no pecado, ao invés de voltar para você”. Essa já é uma revelação, uma manifestação clara, um indício explícito de uma mente dominada pelo diabo, um recado latente de quem, verdadeiramente, está reinando naquela vida. É o extremo da opressão e da dominação.

A coleção de várias frustrações adquiridas no casamento e guardada no coração pode fazer uma pessoa passar do estágio de vítima ao estágio de opressa, perturbada, longe de DEUS. Todos os erros, por mais graves que pareçam, cometidos por um cônjuge, criam sentimentos de decepção, de mágoa, de revolta. Esses erros cometidos pelo outro não podem nos afastar da direção de DEUS. Não é porque alguém me decepcionou que eu tenha que pagar na mesma moeda, nem, muito menos, querer mais saber dessa pessoa, como se ela não tivesse conserto algum da parte de DEUS. Quando sofremos pelas atitudes erradas do nosso cônjuge, o que sobe à mente de imediato é que estamos sendo injustiçados, pois julgamos as nossas atitudes perfeitas. É como se o outro fosse sempre retribuir, no mesmo grau de justiça e de amor, aquilo que fazemos por ele. Além de o casamento não ser definido e determinado somente por ações de reciprocidade, sabemos que a realidade não é bem essa.  Muitas vezes plantamos amor e recebemos espinhos como recompensa. Às vezes nos dedicamos tanto a um sonho que nutrimos durante anos e nos frustramos amargamente. A amargura e a injustiça também fazem parte do casamento. Mas o que desejo chamar atenção é que o erro de um não pode disseminar nem justificar erros, pecados futuros em quem um dia foi vítima de tudo isso. Uma pessoa que tem a vida escondida em CRISTO aplica o principal elemento à vida dela: o perdão, extensão das misericórdias do SENHOR. E o segundo elemento também: não desistir jamais do casamento. Porque temos que associar sempre o casamento à relação de CRISTO com a igreja, como bem escreveu Paulo na Carta aos Efésios, quando dos deveres de maridos e esposas cristãos: “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim, como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido. Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Efésios 5:22-27). Se CRISTO não desiste de nós quando erramos, quando O desagradamos, então, assim também, não devemos desistir do cônjuge. O mesmo olhar que JESUS tem por nós quando O desagradamos (“você tem jeito, sim”), é o mesmo olhar com que devemos olhar para um cônjuge opresso.

Observe o seguinte: o nível de opressão de um tem que levar a um nível de santidade bem maior no outro. Os dois não podem viver na mesma opressão, senão o casamento perdeu a completa importância e o fôlego de existência. Serão dois mortos espirituais, caminhando com uma cobertura de vivos. Se os dois não querem, DEUS também não vai se envolver nesse negócio. Porém, cada qual vai ser julgado pela decisão que tomar. Quando ambos desistem do casamento é um sinal claro da ação demoníaca, da aceitabilidade do erro. Quem, afinal, passaria o resto da vida sem adulterar, estando longe do marido e da esposa? E, mesmo que conseguisse, estaria correto aos olhos de DEUS viver separado da pessoa que DEUS uniu e abençoou? Querer estar separado (a), distante fisicamente falando, é estado de opressão, de falta de perdão, de impiedade, de coração duro. E, por acaso, um filho de DEUS tem alguma dessas características citadas? Um filho é conduzido segundo a vontade do PAI. Essa é a doutrina básica, inicial, que todo cristão aprende no coração, quando recebe o poder de ser chamado “filho de DEUS”. O primeiro recado que recebi de JESUS no meu novo nascimento foi: “abra mão das suas vaidades, do seu querer, mortifique o seu EU, o seu orgulho; e me siga”. Esse é o “bê-á-bá” da cartilha de DEUS para as nossas vidas.

Mas se o seu marido ou a sua esposa está opressa, se ele ou ela quer pecar, viver separado (a) da família, como, então, agir, sem sair da presença de DEUS? DEUS dá uma ordem, através do apóstolo Paulo, as pessoas casadas que passam pela separação: “fiquem sem se casar com mais ninguém (…)” (1 Coríntios 7:11), ou seja, “não busquem envolver-se com pessoa alguma, pois você, para mim, permanece casada (o)”. DEUS sabe que o primeiro desejo de uma vida que é repudiada pelo companheiro (a) é a de achar que aquele casamento se desfez, que não há mais solução, e, assim, desejar um novo relacionamento. Essa é a primeira seta que satanás lança nos corações: a de desistir daquela história. Se a pessoa ouve e guarda esse conselho maligno no coração, estará se afastando de DEUS, perdendo a salvação da alma, tornando-se adúltera aos olhos do SENHOR (Romanos 7:2-3; 1 Coríntios 7:39). Alguém que estiver passando pelo vale da separação poderia perguntar a DEUS: “sim, e vou viver sozinha (o) por todo o tempo que me restar?” Então DEUS a (o) responde: “(…) reconcilie-se com o seu cônjuge” (1 Coríntios 7:11). “Mas, como se reconciliar com uma pessoa que afirma categoricamente que não me quer mais?” Aí entra a ação do Espírito Santo. Quando DEUS diz “reconcilie-se com ele (ou ela)”, ELE está, na verdade, mandando guardar essa fé e esse desejo no coração. DEUS também sabe que a pessoa repudiada não tem poderes de convencer o cônjuge opresso em palavras ou em ações, de fazê-lo voltar para o lar. Lidar com a realidade espiritual do outro é respeitar a vontade dele de querer estar no pecado. Respeitar não significa aceitar. Eu posso respeitar a prática pecaminosa de um grande amigo, mas não devo concordar com ela. São atitudes bem distintas. Por exemplo: uma pessoa deve respeitar o direito do outro de querer se divorciar dela, mas jamais aceitar em seu coração o estado de divorciada nem compactuar com o divórcio. Uma pessoa civilmente divorciada permanece casada para DEUS, enquanto o cônjuge viver. Sendo casada para DEUS não pode guardar no coração essa realidade que o diabo construiu na mente e no coração do outro. E como buscar a restauração do casamento sem guardar no coração uma realidade criada por satanás? Seguem algumas instruções básicas: não tirar a aliança do dedo; respeitar a liberdade do outro em se manter afastado; passar a viver de boca fechada, mantendo-se firme na fé; buscar a santificação.

Uma maneira de respeitar a liberdade de agir da outra pessoa é ignorá-la, desfazendo todo e qualquer vínculo emocional com ela. Afinal, respeitar o que o outro faz não resulta necessariamente em caminhar ou me ligar a essa pessoa. Quem é luz do SENHOR, anda com o Espírito de DEUS, e não deve se envolver com opressão maligna da vida de ninguém, nem mesmo do cônjuge. Ele (ou ela) quer pecar? Respeite-o (a)! E para não sofrer, desvincule-se, passando apenas a orar e a jejuar por essa pessoa. Essa é a maior prova de que somos convertidos, de que praticamos o Amor de DEUS em nós: amar o outro quando ele não merece; não desistir quando vemos nada acontecer. Quando alguém chega para mim e me diz que quer seguir por determinado caminho de pecado, a única coisa que faço é mostrar-lhe que o tal caminho vai lhe trazer destruição. Se a pessoa insistir, não farei mais qualquer objeção para impedir. É caindo, sofrendo, que ela vai ver o tamanho da ferida que causou em si mesma. Há pessoas que têm por maior conselheiro a própria dor.

Sabendo que todo caminho do pecado é enganoso, aparentemente bom e agradável para quem está nele: “HÁ CAMINHO QUE AO HOMEM PARECE DIREITO; MAS O FIM DELE SÃO CAMINHOS DE MORTE” (Provérbios 14:12). Há práticas que parecem maravilhosas e perfeitas, assim como há pessoas na igreja que parecem salvas e tementes ao Evangelho. Apenas parecem. No interior, são lobos devoradores, cujo final é a perdição, a condenação. Acaso você já leu o que está escrito em Mateus 7, versículo 15 e depois os versículos 21-23? Quem busca o pecado, uma vida dissoluta, embora, no futuro, chegue a se arrepender e a voltar para casa, vai colher as marcas do tempo em que transgrediu. É como uma pessoa que abandonou o cônjuge, não liberou perdão verdadeiro, e ainda por cima tornou-se adúltera no mundo. Nesse tempo se envolveu com outra pessoa (achando que esse caminho era bom) e engravidou (se for mulher) ou engravidou uma terceira (se for homem). A presença daquele filho, fruto da maldição do adultério, as responsabilidades com ele, tudo o que estiver ligado a esse pecado deixará marcas. DEUS perdoa pecado, quando confessado verdadeiramente e abandonado; mas as consequências permanecem. E há consequências que são irreversíveis. Lembro-me de um cidadão que se afastou da esposa, da família, e foi viver com uma mulher adúltera, com quem chegou a ter dois filhos. Adiante, desentenderam-se e se separaram. Ele, desesperado, em total opressão, desferiu tiros contra ela (pois a mesma o ameaçava na Justiça), chegando a matá-la. Em seguida, já preso, arrependeu-se de ter abandonado a esposa e a família, chorando amargamente. Creio que DEUS o perdoou, mas a vida daquela adúltera aquele homem não poderá trazer de volta. Ele só está esperando cumprir a pena, atrás das grades, para procurar novamente a esposa, pedir perdão a ela e voltar de onde jamais deveria ter saído. Filhos, despesas, assassinato e tantas coisas mais, a desobediência a DEUS causou na vida daquele homem. Tantos dissabores, ele poderia ter evitado. Mas, pela dureza do coração, preferiu seguir por caminhos que considerava direitos. Ele preferiu fechar os olhos para a advertência bíblica: “o que adultera com uma mulher é falto de entendimento; destrói a sua alma o que tal faz” (Provérbios 6:32). A esposa não poderia evitar, com a própria força, nada do que aconteceu na vida dele. O que restou a ela, sabiamente, foi orar, esperar, desvincular-se para não sofrer mais do que deveria. O momento fatídico da vida do marido foi quando ele disse ao próprio coração: “eu quero pecar!”. DEUS ouviu e se entristeceu. Satanás sorriu e tratou logo de encarcerá-lo espiritualmente. É certo que a vida pecaminosa chegou ao limite de DEUS, mas o preço pago foi altíssimo.

A verdade é que DEUS, através do Seu Único Filho, não deseja a morte nem a destruição de ninguém, nem de família alguma. A prova é que ELE aconselha a reconciliação, o perdão, a restauração familiar. DEUS insiste para não desistirmos do milagre que ELE pode e vai fazer em nós, em nosso cônjuge e em nossa família, para que tenhamos um testemunho forte e o Nome DELE seja glorificado através de nossas vidas. Que DEUS nos abençoe!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é Pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo. 

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Sobre as Ondas – com Gerson Ramalho

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