Duas palavras que abrem portas

“Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei. Ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz”. Tiago 4:11

Esta semana me senti incomodado para escrever sobre um mal que está se alastrando na vida de muitas pessoas dentro das denominações religiosas: a língua ferina. Esse pequenino membro do corpo humano tem danificado o caráter de muita gente e causado conseqüências tristes. Já tive a oportunidade de conhecer várias pessoas que se afastaram dos templos cristãos ou porque se ofenderam ou foram caluniadas por alguém. Outras, mais fracas, chegam até mesmo a se afastar dos Caminhos maravilhosos de DEUS. Não é possível que os próprios cristãos criem um novo divisor na Igreja de JESUS: a língua. Não bastasse que nós fomos escolhidos e separados pelo PAI para combatermos satanás e seus anjos, o mundo e as solicitações carnais, ainda desenfreamos um outro espírito de divisão.

O principal lema de quem serve a DEUS é o Amor. Quem ama não se sente no direito de julgar o seu próximo. O Amor é manifesto na piedade que uns devem nutrir pelos outros. Quem ama possui o desejo de ajudar o caído, os mais necessitados. Quando julgamos, cometemos um pecado igual ao de lúcifer: saímos da condição de servos para a de juiz; e dessa forma, ousamos ser iguais a DEUS, Único Juiz. A língua é um dos principais impedimentos para uma vida feliz e próspera. Observe a pergunta feita pelo salmista: “Quem é o homem que ama a sua vida, que deseja longos dias para o seu viver? (Salmos 34:12). Responda a si mesmo pelo direcionamento que você dá ao seu falar. A resposta surge logo no próximo versículo: “Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem enganosamente” (vers. 13). Pedro repete essa fórmula em sua Primeira epístola: “Pois quem quiser desfrutar a vida, e ter dias felizes, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano” (3:10). O primeiro conselho do salmista é guardar. Mas o que significa esse verbo? No texto está com o sentido de “vigiar, proteger, conservar”. Quem de nós tem vigiado o que escapa da boca? Se voltarmos a analisar o conselho de Pedro, veremos a lógica que há entre as asas de nossa língua com a qualidade de vida que temos. As boas palavras são um fator importante na construção da harmonia social.

Há algum tempo trabalhei numa grande escola onde um dos meus superiores era invejoso e tinha hábito de falar mal dos outros. Era uma pessoa geralmente nervosa, insegura, desconfiada de tudo. E, assim, conseguia atrair para si uma série de estigmas negativos e pessoas inimigas. Algumas vezes freei os seus maus procedimentos com palavras de amor e de carinho. Não raramente, alguns colegas me viram exclamando que o amava nos corredores da escola. Por que esse meu procedimento? Em 1 Pedro está a resposta: “Não pagueis mal por mal, nem injúria por injúria. Pelo contrário, bendizei, porque para isto foste chamados, a fim de receberdes bênção por herança” (3:9). Quando Paulo está dando a Timóteo orientações acerca do seu Ministério, a primeira delas se refere em ser exemplo através de sua palavra: “Ninguém despreze a tua mocidade, mas sê exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza” (1 Timóteo 4:12).

Sempre que nos encontramos com alguém, a impressão inicial que o outro tem se baseia nas palavras que proferimos. Através de uma fala sincera e agradável, o cristão pode resgatar aqueles que satanás pretende fazer escravos. Pense bem nisto. A primeira arma que o maligno usa para lhe abater e lhe destruir vem através das palavras enganosas: “você não presta”; “não há mais jeito para você”; “seu passado lhe condena” e outras coisas por aí. Então leia com entusiasmo o versículo a seguir; ele é um “elixir” precioso para você desfazer o mal: “As palavras dos ímpios são emboscadas para derramarem sangue, mas a boca dos retos os livra” (Provérbios 12:6). Você tem prestado muita atenção ao que tem dito? Certa vez, Betânia, esposa do meu primeiro pastor, me indagou se JESUS CRISTO poderia participar das minhas conversas. Confesso que esta pergunta até hoje causa um grande e maravilhoso rebuliço em minha vida. JESUS pode participar de suas conversas com os amigos, familiares, vizinhos, colegas de trabalho, quando, principalmente, você está longe da Casa de DEUS? Reflita também nisso…

Por outro lado, sabemos que há muitos infiltrados entre o povo de DEUS com a simples finalidade de provocar dissensões e intrigas. Precisamos identificar quais são estes e orar por eles. Infelizmente, existem pessoas ainda que não despertaram para a importância que tem um falar moderado, justo e verdadeiro. Preferem viver com chocarrices, parolas e torpezas, pelo simples desejo de agradar ao outro. Que tal repousarmos mais a nossa língua em momentos de silêncio com o Nosso DEUS? Falar em espírito com ELE, expressá-lO silenciosamente, na escuridão do quarto, no silêncio da noite, o que temos dito e que não tem Lhe agradado. Uma palavra sincera destrói um universo inteiro de pecados… Os Salmos 139 provam que DEUS conhece tudo o que falamos: “Sem que haja uma palavra na minha língua, ó Senhor, tudo conheces” (vers. 4).

Com palavras, o homem diz amar a DEUS, como também, afirma não perdoar jamais um mal recebido. Com as mesmas palavras, ele se aproxima de DEUS quando O agrada e se condena através daquilo que fala. Com a boca, o povo de Israel (o povo escolhido de DEUS) cantou louvores após a travessia do Mar Vermelho. Com ela, esse mesmo povo, ao atravessar o deserto de Sim, blasfemou: “(…) Tu nos trouxestes a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão” (Êxodo 16:3). Com as palavras, o apóstolo Pedro reconheceu que JESUS é o Filho de DEUS: “(…) Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16:16), como também O negou, com a mesma língua, na hora do perigo de prisão: “Mas ele O negou, dizendo: Não o conheço, nem sei o que dizes. E saiu para o alpendre” (Marcos 14:68). A Palavra de DEUS pergunta: “Pode a fonte jorrar do mesmo manancial água doce e água amargosa?” (Tiago 3:11). O salmista confirmou esse poder de destruição que as palavras possuem: “Usas a tua boca para o mal, e a tua língua trama enganos. Assentas-te a falar contra o teu irmão, e falas mal contra o filho da tua mãe” (Salmos 50:19-20).

Controlar a língua seja, talvez, o maior dos segredos que o ser humano dispõe no dia-a-dia para ter uma vida próspera com DEUS. As palavras traduzem aquilo que somos e a nossa qualidade espiritual. Se conseguirmos refrear esse pequenino membro do nosso corpo, estaremos dando um passo importante para sentirmos mais a presença de DEUS em nossa vida e receber dEle todas as bênçãos prometidas. Muitas vezes pedimos ao PAI e não alcançamos a graça devido ao arsenal de imundície que está o coração. E nos perguntamos: “será que DEUS não nos ouve?” O apóstolo Tiago, meio irmão de JESUS, escreveu: “Se alguém cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a sua religião é vã” (1:26). O próprio JESUS por muitas vezes alertou que o coração é um depósito de enfermidades. No livro escrito pelo médico Lucas, o Filho de DEUS ensinou: “O homem bom do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal. Pois da abundância do coração fala a boca” (6:45). Ao explicar uma parábola a Pedro, também vêm as mesmas palavras: “Mas o que sai da boca, procede do coração, e é isso o que contamina o homem. Pois do coração procedem maus pensamentos, assassínio, adultério, prostituição, furto, falso testemunho, blasfêmia”. (Mateus 15:18-19). Um mau coração pode criar uma série de problemas para nós.

Primeiro precisamos pedir que DEUS nos dê um novo coração; e a conservar nele todos os ensinamentos de Amor. É como se estivéssemos proibidos de falar enquanto DEUS não efetuar esse “transplante” (num mundo espiritual), colocando em nós um coração dEle, de motivações agradáveis. O mesmo Tiago, citado acima, aconselha-nos: “(…) Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar” (1:19). No livro de Eclesiastes está registrado: “(…) Há tempo de estar calado e de falar” (3:7). A qual tempo se refere o texto? Não seria o tempo da mudança, do “transplante”, o tempo de DEUS? Assim foi feito no princípio. No tempo estabelecido, DEUS criou o mundo e todas as coisas (eu, você, todos os filhos e criaturas) pelo poder da palavra do Seu Espírito; como está escrito em Salmos: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo sopro de sua boca” (33:6).

Agora releia o título desse estudo bíblico. Você deve se perguntar o que o título dessa reflexão tem a ver com o assunto dissertado… Veja bem, quando você se encontra diante de uma porta de alguma sala ou escritório, apenas duas palavras são possíveis de serem lidas: “Puxe” ou “Empurre”. Ou você atrai para si ou você afasta… É somente uma analogia, mas, a partir dela, você pode refletir mais o quanto suas palavras têm poder de povoar o Reino de DEUS ou de afastar as pessoas dEle… Que sejamos abençoados nessa Palavra!!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça” e “Antes que a Luz do Sol escureça”. Também é líder do Ministério Interdenominacional Recuperando Famílias para Cristo.

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