Um cristão feito somente de folhas

“Avistando uma figueira à beira do caminho, dirigiu-se a ela, mas não achou nela senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente” (Mateus 21:19).

Os textos sagrados estão repletos de conteúdos que trazem ensinamentos importantes a nossa vida. Uma das passagens que me chama mais atenção se refere à ordem que JESUS deu a uma figueira para que ela secasse. Por trás da interpretação literal esconde-se um significado simbólico de profundo enriquecimento para a vida do cristão.

Segundo o relato de Mateus, JESUS havia pouco antes entrado num templo em Jerusalém e expulsado “a todos os que aí vendiam e compravam, e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhe: está escrito: a minha casa será chamada casa de oração, mas vós a tendes convertido em covil de ladrões” (Mateus 21:12-13). Marcos apresenta essa mesma situação posterior à ação da figueira (ver Marcos 11:13-16). Independente de o acontecimento ter sido antes ou depois, segundo a visão particular de cada apóstolo, as atitudes duras e repreensivas do Filho de DEUS, tanto em relação à figueira quanto a postura dos vendedores, apontam para uma religiosidade hipócrita de um povo decaído espiritualmente, um povo que fora privilegiado em primeira ordem para ser detentor da Graça de DEUS, mas que O rejeitara como Messias: “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam” (João 1:11).

O caráter incomum apresentado por JESUS aos que faziam comércio de pombas deve ser entendido devido à divulgação de uma falsa doutrina ou de um ensinamento herético da Palavra de DEUS, constituindo, assim, uma afronta ao Espírito Santo, pois é sabido que o termo “pomba”, na Bíblia Sagrada, refere-se a DEUS-Espírito Santo. Observe que, logo após ser batizado por João Batista, no rio Jordão, JESUS “saiu da água. Nesse instante abriram-se-lhe os céus e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele” (Mateus 3:16). Então entendemos na transcrição dos comerciantes que JESUS estava repreendendo severamente a todos os religiosos que distribuíam heresias acerca da Palavra de DEUS, baseadas na lei judaica, e que, dessa forma, seus olhos jamais podiam ser abertos (produzir frutos de Justiça); e que a figueira era, assim, uma representação figurativa da instituição religiosa judaica: “Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Do mesmo modo, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus” (Mateus 17:16-17). JESUS com essa atitude adverte a todos de nossa geração sobre o perigo de se viver uma vida religiosa fechada nos templos, mas um cristianismo prático, exercido em experiências, rico em frutos (figos) saudáveis. E o maior dos frutos que uma pessoa pode produzir é reconhecer-se pecador e se arrepender: “Produzi frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3:8). O curioso é que tanto na passagem da figueira quanto na dos vendedores de pombas, as narrativas se entrecruzam e ao mesmo tempo permitem um corte linear, que provoca no leitor uma certa expectativa e curiosidade sobre o seu desfecho: mas os discípulos simplesmente ouviram o que ELE fizera à árvore. Será que você tem sido uma figueira que apenas produz folhas?

Natanael foi outro cidadão que teve uma experiência ilustrada pelo símbolo de uma figueira. No quarto evangelho, JESUS afirma que Natanael é um verdadeiro israelita, sem dolo, e que o viu “(…) quando estava debaixo da figueira” (João 1:48). Natanael declara JESUS Mestre e responde que ELE é o Filho de DEUS, o Rei de Israel. Parece um diálogo sem sentido se não aceitarmos que essas expressões refletem profundos significados simbólicos para a nossa vida. Árvore significa conhecimento. Assim, pois, Natanael estava debaixo da Verdade e por isso logo produziu bom fruto (JESUS tu és o Filho de DEUS!).

Voltemos às nossas origens, à gênese da história da humanidade. Quando DEUS pôs o homem no jardim do Éden para o lavrar e o guardar, em seguida o ordenou dizendo: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás, pois no dia em que comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:16-17). O exercício do conhecimento aqui é “comer frutos”, ou seja, produzi-los. Então, quando JESUS afirma à figueira “nunca mais nasça frutos de ti”, ELE não ataca a planta inocente, mas denuncia a hipocrisia de um doutrina morta, uma árvore que tem somente folhas, como aquela dos sacerdotes de Jerusalém. Leia atentamente que os profetas no Antigo Testamento já anunciaram o que ocorreria com esses religiosos: “Certamente os apanharei, diz o Senhor. Já não há uvas na vide. Já não há figos na figueira, e a sua folha caiu. Até aquilo mesmo que lhes dei, se irá deles” (Jeremias 8:13) e “A vide se secou, a figueira se murchou; a romeira também, e a palmeira e a macieira – todas as árvores do campo – se secaram. A alegria se secou entre os filhos dos homens” (Joel 1:12). Muitas também são as passagens do Novo Testamento que se reportam a frutos: veja 2 Coríntios 9:10; Filipenses 1:11; 2 Timóteo 2:6; Tiago 3:17 e Apocalipse 22:2.

Precisamos urgentemente de uma vida de frutos e não unicamente de folhas. Quando me refiro a frutos, não quero que você imagine que é possível uma pessoa, apenas por obras realizadas nesse mundo, entrar no Reino de DEUS. Todas elas são importantes depois que um fruto maior nasce dentro do ser humano: arrependimento e nova vida com JESUS. A fome que JESUS quer contemplar não é simplesmente aquela oriunda do estômago, mas a necessidade de verdades espirituais, aquela árvore, que quando chega o verão, no tempo da colheita, seus galhos estão repletos de folhas robustas e de frutos macios. Uma árvore saudável abastece toda a cidade (leia Marcos 13:28).

A Bíblia diz que “não vos enganeis. Deus não se deixa escarnecer. Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7). Tal ensinamento é confirmado em Provérbios: “O que cuida da figueira comerá do seu fruto; o que zela pelo seu senhor, será honrado” (27:18). Não queira se apresentar diante de DEUS como uma árvore que não produziu fruto algum para o Seu Reino; uma árvore morta, como os judeus do tempo de JESUS. Não sejais como os lavradores maus da parábola transcrita em Mateus 21 a partir do versículo 33. “Portanto quando vier o dono da vinha, que fará àqueles lavradores?” (vers. 40). O que terão produzido? Frutos ou simplesmente folhas?

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça” e “Antes que a Luz do Sol escureça”. Também é líder do Ministério Interdenominacional Recuperando Famílias para Cristo.

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