“Bem-aventurados os que choram…”

“(…) O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. Salmos 30:5

Uma das coisas que o ser humano aprende, desde criança, é montar os sonhos de modo que a vida se transforme em momentos de grande alegria. De uma forma geral, todo o mundo quer e almeja a felicidade. Não há um sequer que queira ser triste, embora essa característica emocional nos alcance em determinados momentos. A tristeza é algo que, geralmente, está relacionado à perda, à dor, ao isolamento, seja lá físico, espiritual ou emocional. Portanto, o versículo acima, transcrito em Mateus 5:4 e que dá título a reflexão dessa semana, parece conter um grande paradoxo: como podem os tristes serem felizes?

Convém, antes de tudo, distinguir duas espécies de tristeza: uma permanente (imbuída no verbo SER) e outra transitória (contida no verbo ESTAR). Em outras palavras, alguém pode estar triste sendo feliz, como também um ser triste pode vir a ter momentos de alegria. Quanto mais o homem é internamente triste pela ausência de uma harmonia espiritual, mais tende a buscar no espaço externo motivos para ser feliz. Isso é o que comumente encontramos em pessoas que se deleitam nas coisas do mundo. Quem assim vive, tentando preencher os seus vazios com situações externas, adiante se encontra num estado emocional pior que o primeiro. É um vazio que não foi eliminado, mas escondido, renunciado momentaneamente. Observe bem o aspecto das pessoas que freqüentam shows, bailes, festas, carnaval. No dia seguinte, encontram-se em circunstâncias bem piores: fadigados, endividados etc. Por outro lado, quando o homem decide renunciar ao que está fora e transforma o oásis de seu interior num grande manancial de águas vivas, ele descobre qual bela é a tristeza da vida com DEUS. O que era deserto morto passa a ser horta abundante. Então ele compreende o que disse JESUS: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá (…)” (João 14:27). A aparente paz que o mundo oferece, com seus encantos e deslumbramentos, é alegria transitória; enquanto o viver para CRISTO compreende em alegria constante. Por isso escreveu Paulo: “como entristecidos, porém sempre alegres (…)” (2 Coríntios 6:10) e “os que choram como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem(…)” (1 Coríntios 7:30).

Mas há quem chore, como dissemos anteriormente, por alguma motivação externa: é o choro puramente humano, carnal. Passemos em revista algumas dessas situações que a Sagrada Escritura nos apresenta. Quando JESUS entrou numa cidade conhecida por Naim, havia ali uma viúva que pranteava pela morte de seu único filho. “Vendo-a, o Senhor sentiu grande compaixão por ela, e lhe disse: não chores” (Lucas 7:13). Assim também ocorreu com a única filha de Jairo, chefe da sinagoga. Na casa todos choravam bastante pela morte da menina. Eis que JESUS respondeu a todos: “(…) Não choreis. Ela não está morta, mas dorme” (Lucas 8:52). Há também o choro originado por desespero e misericórdia. As mulheres que assistiam ao constrangimento físico de JESUS choraram compulsivamente. “Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e por vossos filhos” (Lucas 23:28). Alguns choram por fome e por abandono: “Abrindo-o, viu o menino (Moisés). Ele chorava, e ela teve compaixão dele, e disse: este é menino dos hebreus” (Êxodo 2:6). Outros choram quando vêem os antigos opositores comovidos e arrependidos, principalmente quando estes são sangue do nosso sangue: “Assim direis a José: perdoa, rogo-te, a transgressão de teus irmãos, e o seu pecado, porque te fizeram mal. Agora, pois, rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos de Deus de teu pai. E José chorou quando eles lhe falavam” (Gênesis 50:17). Há os que choram sem esperança e sem fé: “Partindo ela (Maria Madalena), anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes e choravam. Quando ouviram que Jesus vivia e que tinha sido visto por ela, não acreditaram” (Marcos 16: 10-11). Sobre isso, veja o que escreveu o apóstolo Paulo: “Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança” (1 Tessalonicenses 4:13).

Mas CRISTO nos ensina a chorar o choro verdadeiro, agradável a DEUS: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Lavai as mãos, pecadores, e vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará” (Tiago 4: 8-10). Concluímos, assim, que a verdadeira alegria sucede um estado de tristeza, de profundo choro. Sempre haverá um deserto antes de encontrarmos a terra que mana leite e mel. Não um choro ocasionado por um desastre físico. Mas um choro de arrependimento, de convicção do pecado que nos assedia e nos afasta de DEUS; como um exercício espiritual. De todos os choros, esse, sem dúvida alguma, é o mais importante. A primeira mensagem de JESUS na terra, ao iniciar o seu Ministério, foi um convite para que todos chorassem: “Desde então começou Jesus a pregar: arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus” (Mateus 4:17). Pedro também recomendou esse choro: “Disse-lhe Pedro: arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:38). O rei Davi também atestou essa verdade: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado: a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Salmos 51:17). Este é um choro que nos garante vida plena, morada celestial: “Em verdade, em verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis enquanto o mundo se alegra. Vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria” (João 16:20). Quando eu era criança ouvia dizer que “quem rir por último rir melhor”. Nunca um dito popular encontrou tamanha verdade bíblica! O verdadeiro choro produz lavagem interior, e o faz encontrar-se com DEUS através de uma confissão. Paulo chegou a ter tão grande convicção do pecado que gemeu: “Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo dessa morte?” (Romanos 7:24). Davi, escolhido por DEUS para ser o segundo rei de Israel, cometeu um pecado gravíssimo: adulterou com a mulher de Urias, o heteu. Depois o embebedou e o mandou matar. Entretanto, Davi fez o que mais agrada a DEUS: tomado de profundo choro, arrependeu-se. “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos, de modo que és justificado quando falas, e puro quando julgas” (Salmos 51:4).

Não tenha medo algum de chorar. Está explicado porque JESUS afirmou que “bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados” (Mateus 5:4). Tem um trecho de uma música interpretada por Cassiane que diz: “se chorar, chora nos pés do Senhor / tem Jesus como o seu consolador” (Vou Seguir). Pedro, após negar três vezes JESUS CRISTO, chorou amargamente. Todo aquele que chora alcança misericórdia da parte de DEUS. Ora, para os que estão no mundo, os salvos em JESUS parecem os mais tristes. Glória a DEUS por isso! Glória a DEUS porque o mundo reconhece em mim tão grande e profunda tristeza! O caminho não pode deixar de ser estreito e árduo, uma espécie de tristeza, como é toda a disciplina; mas no fundo dessa tristeza externa há uma grande alegria interior. Aos olhos dos descrentes, o homem espiritual tem uma vida descolorida, solitária. Eles não compreendem que a nossa alegria vem de outra dimensão, totalmente desconhecida por eles. A vida com DEUS é uma bela tristeza, “pois o reino de DEUS não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14:17). Felizes, então, os que choram!!!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça” e “Antes que a Luz do Sol escureça”. Também é líder do Ministério Interdenominacional Recuperando Famílias para Cristo.

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