Saul e Davi: um estudo de dois casos

“(…) Não há distinção, pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, e são justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:22-24).

 

Parece-nos que a doutrina bíblica do pecado ainda é um grande mistério para boa parte dos cristãos. De um lado, irmãos que vivem aterrorizados com a possibilidade de perderem a salvação se caírem no pecado. Do outro, alguns pensam que têm perfeita compreensão do assunto, mas mostram ignorância ao insistirem que é possível atingir a perfeição sem cometer pecado nesta vida. Ambas as posições, além de erradas, são perigosas. Se a Palavra de DEUS afirma que “se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 João 1:8), isso significa que a nossa preocupação maior não deva ser com o exercício do pecado, mas como responderemos a ele. Daí, eu ter escolhido a trajetória de duas grandes personalidades bíblicas, Saul e Davi, para nos direcionar à perfeita santidade em JESUS CRISTO.

Tanto Saul como Davi foram escolhidos para serem reis sobre o povo de Israel. Ambos começaram reinando bem. Ambos também pecaram. A diferença foi como eles reagiram quando confrontados com as transgressões que haviam cometido. O reinado de Saul, primeiro de Israel, encerra o período governamental dos juízes. Samuel foi o último desses. Quando Saul chegou ao poder, o povo encontrava-se num estado lamentável; pois havia rejeitado a DEUS e agora exigiam um rei terreno. DEUS nunca pretendeu que Israel tivesse outro rei senão ELE mesmo. Mas Israel, pelos seus pecados, queria um rei igual às outras nações pagãs que estavam ao seu redor. DEUS concedeu-lhe o pedido. Saul fora o escolhido. Ele era formoso de aparência, alto, filho de uma família militar e, em princípio, humilde. Começou esplendidamente seu reinado, revelando-se um chefe muito capaz, de uma audácia invejável. Derrotou todos os inimigos: filisteus, amalequitas e amonitas. À medida que as vitórias iam acontecendo, a sua autoconfiança ia crescendo, fazendo-lhe perder o espírito humilde; enquanto que a confiança no Senhor diminuía. No confronto com os filisteus, Samuel determinara a Saul que este descesse a Gilgal para oferecer holocaustos e ofertas pacíficas, e que sete dias deveria esperar, até que Samuel dissesse o que ele deveria fazer. Porém, Saul procedeu nesciamente ao não cumprir a ordem de Samuel, oferecendo holocausto sem a presença do profeta. Adiante, quando DEUS o ordenou que eliminassem todos os amalequitas, sem que nada fosse poupado (“vai agora e fere a Amaleque, e destrói totalmente a tudo o que tiver. Nada lhe poupes; matarás a homens e mulheres, meninos e crianças do peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos” 1 Samuel 15:3), Saul separou os melhores animais: “Mas Saul e o povo pouparam a Agague e o melhor das ovelhas e bois, e os animais gordos e os cordeiros e o melhor que havia, e não quiseram destruir totalmente (…)” (1 Samuel 15:9). Por essas desobediências, vimos DEUS arrepender-se por ter constituído Saul como rei. Saul pouco a pouco construiu um estado de grandeza dentro de si, que fez com que o Espírito de DEUS se afastasse dele. Nenhum outro homem teve a oportunidade maior que Saul e nenhum outro homem se revelou um fracasso maior. Em Lucas está escrito: “(…) a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou muito mais se lhe pedirá” (12:48). Quando Saul foi confrontado em seu pecado, defendeu-se dizendo que poupara os animais para sacrificar ao Senhor. Era muito mais uma desculpa, por não aceitar a responsabilidade pelos seus próprios atos. Vimos aqui um homem totalmente tomado pelo orgulho interior. Ele ainda insistiu que a culpa não era sua, mas do povo que poupara os animais. A consciência de Saul era impenetrável. Mais tarde, recitaria a palavra “pequei”, mas só porque queria que Samuel voltasse e o honrasse no meio do povo. Como resultado do seu coração impenitente, DEUS afastou o Seu Espírito de Saul e um espírito maligno se apoderou dele. De agora em diante, assistimos à trajetória infeliz de um homem que amanhecera sob a luz de um radioso sol e que anoitecera repleto de nuvens negras: ergueu um monumento para si, procurou matar Davi, seu sucessor, eliminou os sacerdotes de Nobe, consultou médium e suicidou-se no Monte Gilboa.

Davi, oitavo filho de Jessé, bisneto de Rute e Boaz, nasceu em Belém, o mesmo lugarejo de JESUS CRISTO. De simples pastor de ovelhas logo chegou a ser rei. Era um harpista e um salmista formidável. Por muitas vezes, enfrentou o ódio e a inveja de Saul e viu a morte em sua frente. Aqueles dias tristes eram um treinamento para que, mais tarde, tornasse um homem independente e corajoso. Vivia exclusivamente para fazer a vontade do Senhor; por isso logo foi chamado de homem “(…) segundo o coração de DEUS (…)” (Atos 13:22). Mas como todo homem falho, pecou gravemente. Cobiçou a mulher de Urias, o heteu; e com ela se deitou. Quando a mulher o avisou que estava grávida, Davi embebedou Urias e depois mandou matá-lo: “Escreveu na carta: ponde a Urias na frente da maior força da peleja. Então retirai-vos de detrás dele para que seja ferido e morra” (2 Samuel 11:15). Além de adulterar, Davi tornou-se homicida. Sobre o pecado da carne, bem explicou o apóstolo Paulo: “Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum. Com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. (…) Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7: 18,19 e 24). Davi se tornara miserável pelo pecado que cometera. Mas DEUS foi fiel em adverti-lo do mal que fizera, assim também como tinha feito a Saul. Sendo que o enviado dessa vez foi o profeta Natã. Quando confrontado com o seu pecado, Davi não hesitou em se humilhar a DEUS de todo o seu coração: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo o teu constante amor; segundo a tua grande compaixão, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos, de modo que és justificado quando falas, e puro quando julgas. Certamente em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu a minha mãe. (…) Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário.” (Salmos 51: 1 ao 5; 10 ao 12).  Os destinos de Davi tornaram-se agradáveis a DEUS. De sua descendência na terra saiu JESUS, o Filho de DEUS. Da vida humilde e desconhecida na pobre Belém, DEUS o exaltou sobremaneira, tornando o seu nome como o segundo mais conhecido no mundo, depois do Nome de JESUS CRISTO. JESUS é a chave e a raiz de Davi. Do tabernáculo de Davi, arruinado pelos homens, virá a salvação dos homens que buscarão o Senhor. Até no momento de sua morte, o Espírito de DEUS esteve presente. Veja as últimas palavras que ele proferiu: “O Espírito do Senhor fala por mim, e a sua palavra está na minha boca. Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: quando um justo governa sobre os homens, quando governa no temor de Deus, é como a luz da manhã ao sair do sol de uma manhã sem nuvens, como o esplendor depois da chuva que faz brotar da terra a erva. Não está assim com Deus a minha casa? Não estabeleceu ele comigo uma aliança eterna, em tudo bem ordenada e segura? Não fará ele prosperar toda a minha salvação e todo o meu desejo? Porém os filhos de belial serão todos lançados fora como os espinhos, pois não se pode tocar neles. Mas todo aquele que os tocar deve usar uma ferramenta de ferro ou a haste de uma lança; a fogo serão totalmente queimados no mesmo lugar” (2 Samuel 23:2-7).

Amados, está claro que se houvesse um medidor de pecados, Davi teria cometido um pecado muito mais grave do que o pecado de Saul. Para DEUS, quem é maior pecador? Aquele que ingere bebida alcoólica? Ou o que fuma? Ou o que se prostitui? Ou o que mente? Ou mais ainda aquele que mata? Maior pecador é aquele que não se arrepende de tê-lo cometido. De sorte que para DEUS todo pecado, quando não justificado no Sangue de JESUS, conduz à morte. A diferença, entre os que seguem a JESUS e os que não seguem, não está em seus pecados; mas em como reagem diante do erro. DEUS nos adotou como Seus filhos para termos um coração como o de Davi; porém, muitas vezes agimos com os pensamentos de Saul, com desculpas mil. A chave em receber o perdão de DEUS é o arrependimento sincero; assim como a chave da salvação consiste em perseverarmos na santidade.  Até o último respirar de nossa existência nesse mundo seremos tentados para a queda. Mas o importante é não perdermos o alvo, que é JESUS. DEUS sabe, do alto de Sua Soberana Majestade, que somos filhos sujeitos ao pecado, dependentes da Graça e do Seu Amor. Observe o que está escrito em Provérbios: “pois sete vezes cairá o justo e se levantará, mas os ímpios são derramados pela calamidade” (24:16). Nunca perca a esperança que o fez separado do mundo e regenerado dos pecados. Diga o que disse Paulo em sua carta aos Filipenses: “Irmãos, não julgo que o haja alcançado. Mas uma coisa faço, e  é que, esquecendo-me das coisas que para trás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (3:13-14). Quanto a mim, queridos amigos, “prossigo” e espero encontrá-los na reta final…

 

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça” e “Antes que a Luz do Sol escureça”. Também é líder do Ministério Interdenominacional Recuperando Famílias para Cristo.

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