A lição da manjedoura

“E ela (Maria) deu à luz a seu filho primogênito, envolveu-o em panos, e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2:7) (grifo meu).

 

Que versículo rico em ensinamento este que abre a reflexão dessa semana! Principalmente porque vivemos numa época, onde o materialismo desenfreado é valor supremo na vida das pessoas. Mas JESUS, Rei dos reis, Dono do ouro e da prata, foi posto numa manjedoura. Uma simples manjedoura como local escolhido para ser o primeiro dormitório do Filho de DEUS. Um objeto que, certamente, nos dias de hoje, seria vendido para habitat de animais e a um preço insignificante.

JESUS nasceu num lugar paupérrimo (dentro de uma caverna na simples Belém, a 8 quilômetros ao sul de Jerusalém), entre pessoas de uma grande limitação financeira (José trabalhava em carpintaria, em um árduo esforço físico para cortar madeiras), sem enxoval (foi envolvido em panos) nem conforto algum. Saiu da Glória de DEUS, em meio as maiores riquezas celestiais e, por nós, fez-se pobre: “Pois já conheceis a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que pela sua pobreza vos tornásseis ricos” (2 Coríntios 8:9). Sua vida gloriosa do céu foi transferida para o ventre virgem de uma pobre escolhida. A sua família terrena era tão limitada de recursos que não puderam nem oferecer como sacrifício agradável um cordeiro saudável e um pombinho, segundo estabelecia a Lei. Por isso, ofereceram apenas um par de rolas e dois pombos. Em nosso tempo, quantos estão consumidos pela ganância em busca de mais e mais riquezas terrenas, promovendo injustiças, cultivando ódio e inimizades? Por causa do amor ao dinheiro, já assisti muitos casamentos e famílias serem destruídos. Quantos ainda estão acomodados dentro dos templos, sem fazer a obra de DEUS, porque não lhe estenderam um tapete de luxo?

A mensagem da manjedoura é um alerta definitivo para quem deseja um dia seguir Aquele que calçou alpercatas de couro, vestimenta humilde e valorizou os desprezados da sociedade: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mateus 11:28-29).   

O Messias viveu até os 30 anos na pequena cidade interiorana chamada Nazaré. Daí o tom depreciativo dos que O acompanhavam chamando de “Jesus de Nazaré”. Não era status nenhum na época ser reconhecido como sendo de Nazaré. Certa vez alguém indagou: “(…) Pode vir alguma coisa boa de Nazaré? Respondeu Filipe: vem e vê” (João 1:46). Os olhos de JESUS estavam fitos para aqueles de grande insignificância social. Dos mais fracos e desesperançosos descortinam-se um espírito quebrantado para ouvir e um profundo manancial. As pessoas com quem JESUS andou também foram muito humildes. O plano de DEUS de redenção da humanidade deveria começar por baixo, pelas camadas mais pobres da sociedade. Por isso, seus apóstolos, sem exceção, eram trabalhadores humildes, alguns deles sem a mínima instrução científica. O livro de Atos registra em uma certa ocasião: “Então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos, se maravilharam (…)” (4:13) (grifo meu). O Senhor dos senhores soube escolher muito bem aqueles que, mais tarde, completariam o Seu Ministério. JESUS também escolheu os ambientes mais pobres e ataviados para viver a intensidade de suas lições sublimes, mostrando aos homens que a verdade dispensava o cenário suntuoso dos areópagos, dos fóruns e dos templos, para fazer-se ouvir sua misteriosa beleza. Dessa forma, não hesitou em subir ao monte para exclamar: “Bem-aventurados os pobres pelo espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3). Ele continuou a pregar outros inúmeros ensinamentos à multidão que O seguia, mas os ouvintes não compreendiam porque nunca conseguiram sair do ponto de partida de suas arrogâncias. Mesmo hoje a mensagem do Evangelho cai em ouvidos surdos de homens e mulheres prepotentes que não querem mesmo reconhecer a posição de JESUS como Senhor e Salvador. Os seus “eus” não permitem. Não querem se prostrar numa manjedoura espiritual de suas ambições, tornarem-se humildes de coração, e passarem a fazer a vontade de DEUS. JESUS não vai abrir uma porta extra para aqueles que insistem em viver às coisas para Sua Verdade.

Em outras palavras, o Filho de DEUS estava ensinando às pessoas que elas deveriam, antes de tudo, desprender-se de qualquer cobiça material, do orgulho e da ganância, se quisessem herdar a Glória do PAI. Tais sentimentos são veneno para a alma, que inicialmente se alojam no coração. Um homem ganancioso vive numa perigosa contradição: busca um crescimento que adiante o levará à queda. Quando eu era adolescente vi grandes investidores mundiais acabarem suas vidas presos sob pedidos de falência na justiça ou envolvidos em lavagem de dinheiro sujo. Quase todos os poderosos de minha geração tiveram um fim sombrio: ou presos, ou doentes, ou solitários, ou em profunda miséria material. Quem cresce por produto da cobiça é escravo daquilo que possui. Satanás é fiel exemplo da soberba e da ganância: “Tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; no monte da congregação me assentarei; nas extremidades do norte. Subirei acima das mais altas nuvens; serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14: 13-14). Também em Provérbios está escrito: “O temor do Senhor é odiar o mal; odeio o orgulho, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa” (8:13).   

A humildade de JESUS não se originou na manjedoura nem nos lugares ou pessoas com quem viveu. ELE era humilde de coração. Mas devido a Sua posição social ser muito humilde, os judeus e demais religiosos da época jamais acreditariam que o Messias aguardado viesse com as características modestas, refletidas nas atitudes dAquele pobre nazareno. Por isso foi rejeitado. Muitos precisaram ver os milagres que fazia para crerem em Sua autoridade. Parece-nos que o caráter humilde de JESUS fora obstáculo para a fé dos que aguardavam um Messias mais suntuoso. Os judeus, na verdade, esperavam um rei de coroa de ouro, revestida de pedras preciosas; além de trajes reais. Daí o julgamento e a morte de JESUS terem se caracterizado por uma inversão de valores e pela ironia: O que se diz Rei, agora, vai assumir uma posição de ladrão numa cruz de madeira. Será que vai conseguir salvar-se?: “(…) Perguntou-lhe Pilatos: qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?” (Mateus 26:17) (grifo meu); “E tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça. Na mão direita puseram um caniço e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam dizendo: Salve, rei dos judeus!” (Mateus 26:29). Mas quem nascera numa caverna e fora deitado numa manjedoura, jamais poderia negar-se a enfrentar o sacrifício de morte de cruz, ao lado de dois ladrões.

A lição da manjedoura deveria ser consolidada em uma obra muito maior por Amor à promessa do PAI. Dessa maneira, e como Filho de DEUS, não se fez arrogante. Antes, entregou o seu corpo para ser morto de uma forma tão humilhante. (Lembre-se da grande lição dita por ELE antes: “Pois qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado”. Lucas 14:11). Observe agora o cumprimento dessa verdade: “como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou fazendo bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele. Nós somos testemunhas de todas as coisas realizadas por Ele, tanto na terra da Judéia como em Jerusalém. A este mataram, pendurando-o num madeiro. Deus o ressuscitou ao terceiro dia, e fez que se manifestasse, não a todo povo, mas às testemunhas que Deus antes a ordenara; a nós, que comemos e bebemos com Ele, depois que ressurgiu dentre os mortos” (Atos 10:38-41) (grifo meu).

A lição da manjedoura ficou para sempre na terra como o tesouro de todos os infortunados e de todos os desvalidos. Sua palavra construiu fé nas almas humanas, fazendo-lhes entrever os seus gloriosos destinos. Portanto, quando te convidarem para um casamento, não se negues a sentar no último lugar. Lá, reside a herança dos filhos de DEUS, que é a Glória do PAI… 

FERNANDO CÉSAR – Evangelista, escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça” e “Antes que a Luz do Sol escureça”. Também é líder do Ministério Famílias para Cristo.

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