O jovem rico e o jovem pobre

“Mas ele, contrariado com essas palavras, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades” (Marcos 10:22)

 

Não sei como é o nome daquele jovem. Nem mesmo sei onde ele mora. Encontramo-nos casualmente em um culto no templo sede da Assembleia de DEUS, bem no centro da capital pernambucana. Na verdade, não nos encontramos. Apenas eu o vi a alguns metros distante de mim.

Aquele foi um domingo onde DEUS preparou um lindo banquete espiritual. Um domingo que poderia ser como qualquer outro. Mas não foi. Na saída de Olinda, cidade vizinha a Recife, os carros e os ônibus trafegavam com dificuldade devido à multidão de jovens que se dirigia ao carnaval. Imaginei os longos e tristes anos onde também me deleitava naquela cegueira e ilusão. Assim como eu, muitos dali também terão as suas vidas transformadas pelo grande Amor de DEUS.

Com um pequeno atraso, eu e meu amigo Pedro chegamos para assistir ao culto na Assembleia, em um local onde cabem, no mínimo, umas 5 mil pessoas. E estava completamente tomado. Após os louvores, o pregador da noite nos leva a refletirmos sobre o encontro de JESUS com um jovem rico. A Bíblia narra que esse jovem, do qual não sabemos o nome, correu ao encontro de JESUS e se ajoelhou diante do Mestre. Ele não tinha a certeza da sua salvação, apesar da grande riqueza que possuía. Era judeu, descendente da linhagem de Abraão, e seguia à risca os principais mandamentos da Lei do Pentateuco. Mesmo assim, ele perguntou a JESUS: “Bom Mestre, o que é preciso eu fazer para herdar a vida eterna?” (Marcos 10:17). Imediatamente, o Filho de DEUS retruca-lhe o adjetivo “bom” dado a ELE pelo jovem. Ao redor dos dois, havia um grande número de outros judeus, seguidores também dos mandamentos antigos. Então JESUS começou a examiná-lo através do cumprimento desses mandamentos: “Tu sabes os mandamentos: não adulterarás; não matarás; não furtarás; não dirás falsos testemunhos; não defraudarás alguém; honra a teu pai e a tua mãe” (vers. 19), quando, de repente, fora interrompido pelo garoto. “Mestre, tudo isso guardei isso desde a minha mocidade” (vers. 20). O jovem rico queria entender porque, sendo cumpridor ao pé da letra das leis judaicas, não sentia a certeza da sua salvação. Afinal, ele era excelente executor de todas as boas obras da Lei. JESUS então sabendo que no futuro todas as riquezas materiais do mundo iam ser destruídas, fitou os seus olhos e com muito amor lhe ensinou: “(…) Falta-te uma coisa: vai e vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me” (vers. 21).

JESUS tocara no ponto crucial: as riquezas que o amarravam e o prendiam. É impossível seguir JESUS sem abrir mão dos ídolos que aprisionam: pode ser um emprego, um bom salário, um automóvel, um status social, diplomas. JESUS dissera em outras palavras que a salvação não era produto do bom cumprimento das obras da lei; mas que dependia da fé. Paulo bem explicitou isso aos crentes de Éfeso: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). Em outra ocasião, o MESTRE já havia dito que ELE mesmo não tinha lugar certo para descansar, vivia como um peregrino sem chão: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mateus 8:20). Nesse instante, fiquei pensando naquela multidão de jovens que aprisionava as suas vidas nos ídolos do carnaval. Quantos dali teriam coragem de abandonar aquela vida, nascer de novo e seguir a CRISTO? E quantas pessoas que estão dentro dos templos cristãos e desejam seguir a JESUS e as coisas que as prendem? Ainda há ídolos, ainda há áreas que precisam ser libertas. Mas JESUS tocou exatamente na “ferida” daquele jovem. Certamente se Judas Iscariotes, o tesoureiro do Ministério de CRISTO aqui na terra, estivesse perto, teria dito: “Senhor, esse jovem rico pode ser muito importante para nós, pois passamos por necessidades, privações, e as riquezas dele nos farão viver uma realidade mais confortável”.

JESUS CRISTO ignorou todos os bens mais valiosos que aquele garoto possuía: gados, fazendas, bois, jumentos, ovelhas, vastas terras, funcionários etc. E disse: “desfaça-se de tudo isso e doe aos pobres!”. Havia algo mais valioso ainda que todas as riquezas materiais. JESUS queria na verdade que ele LHE entregasse a sua vida, fosse liberto daquilo que lhe prendia e O seguisse. Em Mateus, o Filho de DEUS já havia alertado os seus discípulos sobre o perigo de ser apegado a riquezas materiais: “E outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus” (19:24). A reação daquele jovem foi de quem ignorava esse ensinamento do Mestre: “Mas ele, contrariado com essas palavras, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades” (Marcos 10:22). Ele retirou-se, saiu daquele lugar sem ao menos dar uma resposta ou um agradecimento ao Filho de DEUS. JESUS não conseguira ganhar aquela alma para si próprio. Parece que o garoto rico e judeu, descendente da linhagem de Abraão, não ouvira ou não se lembrara do principal feito do seu Pai da Fé. Se ao menos, ele tivesse o imitado, não teria morrido sem CRISTO e sem salvação, alguns anos depois daquele encontro especial.

Abraão certa vez ouvira de DEUS o seguinte pedido: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas que eu te direi” (Gênesis 22:2). Quando DEUS lhe pediu o seu bem mais precioso, seu único filho, em holocausto, ele não hesitou em atendê-LO. Abraão então pegou o seu filho, um cutelo, a lenha, dois ajudantes, um jumento e seguiu por uma estrada que duraria 3 dias. Em um dado momento, os dois ajudantes ficaram aguardando, enquanto Abraão caminhou sozinho com seu filho com destino ao monte de Moriá. Já bem próximo, Isaque lhe perguntou: “Meu pai, eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” (vers. 7). Abraão respondeu: “Deus proverá, meu filho!” (vers. 8 ). Chegando à Moriá, o seu pai não teria mais como esconder a verdade. Preparou um altar, pôs em ordem a lenha e disse: “filho, o cordeiro a ser imolado, sacrificado a DEUS é você!” Aquele garoto poderia muito bem ter se retirado do lugar, às pressas, por dentro do mato, e fugido. Porém, ele preferiu obedecer ao pedido de DEUS e se deitou sobre as lenhas para ser imolado pelo próprio pai. E quando Abraão, no instante derradeiro, levantou o braço de posse de um cutelo amoladíssimo, para desferir o golpe fatal em seu único filho, eis que um anjo do Senhor bradou dos céus: “Abraão, Abraão, não estenda a tua mão sobre o moço e não lhe faças nada porquanto agora sei que temes a Deus e não me negaste o teu filho, o teu único filho” (vers. 12).

Aquela atitude heróica, sobretudo, de muita fé de Abraão fora esquecida por aquele jovem rico que foi ao encontro de JESUS, e que achava que suas obras de justiça poderiam levá-lo a salvação da sua alma.

JESUS CRISTO quer a nossa vida, o nosso bem mais precioso. ELE nos libertou das cadeias que nos prendiam e nos tornavam distante DELE. Se você algum dia já teve um encontro com JESUS, mas não quis oferecer a sua vida para que ELE a transforme, talvez por impedimento de algum ídolo, algum bem material ou algumas práticas de vida que te escravizam; não perca mais tempo nem hesite em abandonar tudo, seus ídolos, sua riqueza, seus bens. Você certamente terá o tesouro maior que é a salvação no Filho de DEUS.

Já perto de concluir a reflexão da noite, o pregador então pergunta quem gostaria de abandonar as suas “riquezas” e confessar a CRISTO como único Senhor e Salvador de sua vida. Nesse instante, a alguns metros de mim, um jovem bem humilde atira-se de corpo inteiro no chão em frente ao púlpito. Ele deu um verdadeiro mergulho, como se estivesse no mar. Atirou-se ali, na frente da multidão, deixando para trás sua vida de pecados, seus tesouros que as traças um dia iriam consumi-los e, sem se incomodar com os olhares da multidão presente, chorou como uma criança que acabara de nascer. Um jovem pobre que, como muitos outros jovens de sua idade, poderia estar no carnaval de Olinda, subindo e descendo as ladeiras históricas atrás dos blocos e das troças. Um jovem que aprendeu o caminho da maior riqueza ouvindo a história de um outro, rico, que se tornara pobre e miserável por conta dos bens que o prendiam. A história de dois jovens, distantes mais de 2 mil anos, dos quais não sabemos os nomes, de cultura e nível econômico tão diferentes. Um que aparece nas páginas da Escritura Sagrada e que morreu sem salvação, outro, rude em sua cultura, desconhecido, mas sábio em receber o verdadeiro tesouro da parte de DEUS. Que você seja abençoado!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é líder do Ministério Famílias para Cristo.

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2 respostas para O jovem rico e o jovem pobre

  1. márcia martins disse:

    Linda mensagem, que o SENHOR continue lhe usando poderosamente……..
    Tenho me fortalecido muito com esteas mensagens …………..
    Estou divulgando seu blog……………Um abraço!!!!!!!

  2. Ana Flávia Monteiro disse:

    Fernando essa mensagem é muito forte. Deus me ajude, pois ainda há ídolos que preciso abandonar definitivamente.
    Estou passando seus estudos para os meus contatos. Que Deus faça a obras na vida de cada um.
    Um grande abraço.

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