O pastor e suas ovelhas

“Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, Ele não abriu a boca” (Isaías 53:7) (grifo meu).

Um pastor certa vez juntou muitas ovelhas em seu aprisco. Eram centenas. Umas, poucas, eram aparentemente robustas, bonitas, bem tratadas. Outras, entretanto, doentes, com sérios ferimentos pelo corpo e na alma e que caminhavam com sérias dificuldades. Pastor e ovelhas tinham um árduo e único objetivo a cumprir: atravessar um longo e tenebroso deserto, até alcançarem uma terra de promessas, onde a vida lá seria infinitamente melhor. Apesar de pertencerem a um mesmo rebanho e serem guiadas pelo mesmo pastor, as ovelhas eram bastante diferentes, tanto na fisionomia quanto no caráter e na forma de caminhar. Mas o pastor amava todas, indistintamente, sem se preocupar de onde elas tinham vindo nem a condição em que se encontravam.

E assim começaram a caminhada. Durante o trajeto, ele lhes fornecia alimento e orientação suficientes. Contava que não podiam se desgarrar jamais, não sair da presença dele, pois o deserto era um lugar lúgubre, perigoso, ameaçador. Para comprovar, o pastor mostrava-lhes ossos de ovelhas passadas espalhados em toda extensão de terra; esqueletos de ovelhas que se desgarraram e não mais voltaram à presença do seu apascentador. Por isso, morreram, sem conseguirem êxito algum na empreitada.

Algumas semanas se passaram, o pastor, então, observou uma certa dispersão no seu rebanho. O número não era o mesmo que do início da caminhada. Algumas ovelhas continuavam fortes, obedientes, cumprindo bem todas as determinações para se atravessar o deserto. Mas havia outras que preferiram seguir caminhos contrários, diferentes. Essas se rebelaram, foram envolvidas pela voz de algum lobo que estava introduzido no meio delas, vestido de ovelha. Também existam aquelas que continuavam com sérias dificuldades de caminhar, porque olhavam muito para os lados, para as circunstâncias, e como não viam nada acontecer, sentiam grande pavor e eram atingidas em sua fé. Porém, o pastor estava ali, pacientemente, cuidando de todas com muito amor e dedicação. Aplicava-lhes a injeção da fé necessária e mostrava todas as ferramentas de sabedoria. “Se quiserem chegar até o final, precisarão ter muita fé, perseverança e sabedoria”, disse ele certa vez. O caminho era reto. A missão era avançar por entre todos os obstáculos, uns terrivelmente difíceis de atravessar; mas sempre olhando para frente e nunca direcionando a cabeça para os lados nem para trás.

Meses avançaram, e o pastor foi percebendo que as ovelhas mais fortes, as que estavam mais firmes, eram aquelas que mais o procuravam, que levantavam um altar para DEUS, que buscavam diariamente alimento para a sua alma. Muitas ovelhas, apesar de terem grandes dificuldades de caminhar, não se sentiam motivadas para buscar alimento, curas, refrigério. Daí, passaram a murmurar de tudo e de todos: do pastor e também das outras ovelhas. Murmuraram do tempo e das circunstâncias. Tornaram-se ovelhas mais doentes ainda, além das doenças que tinham quando foram incorporadas ao rebanho. O pastor ouvia tudo em silêncio; não rebatia uma só palavra. Quando se sentia amargurado, atingido, só apareciam aquelas ovelhas mais próximas para consolá-lo. Afinal, ele também era humano. Mas não se detinha. Logo, erguia um altar a DEUS de adoração e continuava com a missão de alcançar a terra de promessas. Quase vinte e quatro horas, ele estava ali, à disposição de todas as ovelhas. Era como um médico plantonista em todos os dias, atendendo a todas, sem cobrar absolutamente nada; apenas obediência e determinação.

Apesar do grande empenho em acompanhá-las, ele não poderia caminhar com as pernas delas. A cada uma cabia a sua própria responsabilidade de querer, de buscar, de se dedicar, de se empenhar, de construir as suas próprias tendas. Mas nem todas são assim. Por isso que, umas crescem sadias, fortes, consistentes; outras apenas se desenvolvem fisicamente, mas com a alma e o espírito definhados. Assim, quando já avistavam à distância a porteira de saída do deserto, apenas meia dúzia (de centenas) estava pronta para receber a vitória tão desejada. O deserto foi igual para todas que iniciaram a jornada. O pastor também foi o mesmo. Mas as atitudes e as motivações radicalmente diferentes. Muitas ovelhinhas ainda vão demorar muito para amadurecer, sair do leite, ganhar alma adulta. E outras nem o prêmio da vitória receberão. “Mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mateus 24:13); “Necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa” (Hebreus 10:36); “Não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança” (Romanos 5:3-4).

O principal objetivo de quem está no deserto espiritual é esquecer os problemas, apagá-los da mente, do coração, da própria vida. Entregar e confiar em DEUS significa esquecer. Mas a cada vez que uma ovelha tenta atravessar o deserto sozinha, mais doente ela fica; pois uma hora ou outra, vai olhar para os lados, para o passado, enxergar os seus inimigos e se encontrar lutando com as próprias forças com eles. E, em todas as lutas, essa ovelha perderá. Até que, depois de sucessivas derrotas, vai desejar desistir de caminhar. Muitos desses adversários são da própria casa, sangue do mesmo sangue. É o fim de quem se isola, de quem não se sujeita, não se submete. É o fim do casamento da ovelha com o seu pastor. Ovelha sem pastor não é digna do aprisco; e tende logo a morrer espiritualmente.

JESUS CRISTO, em seu Ministério aqui na terra, tomou forma humana, esvaziou-se de si mesmo, e obedeceu fielmente, como ovelha, ao Seu Pastor Maior: DEUS. “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas a si mesmo se esvaziou, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens, e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:5-8). ELE se fez servo, mas ao mesmo tempo era SENHOR daqueles que criam nELE e O acompanhavam. No meio do seu rebanho, havia ovelhas de diversas características: ovelhas fracas, doentes, amorosas, obedientes, incrédulas. Ovelhas sábias, doutoras, ovelhas iletradas. Como também havia um lobo com pele de cordeiro: Judas Iscariotes. Em todo tempo, JESUS mostrou o caminho da salvação, do Reino de DEUS e da Glória eterna. Além dos doze contados inicialmente, outros foram sendo salvos e se incorporando ao rebanho de CRISTO ao longo dos anos. Até aqueles que antes criticavam e perseguiam cruelmente as ovelhas e o Sumo Pastor tornaram-se ovelhas também e passaram a zelar pelo rebanho.

No deserto, DEUS capacita o pastor, prepara-o, e julga as ovelhas pela capacidade que cada uma tem de obedecer e de submeter-se. Quanto mais obedientes, mais abençoadas serão. Tomemos, por exemplo, a vida de Pedro como ovelha do SENHOR JESUS. O Pedro, que teve medo de andar sobre as águas quando JESUS o chamou, foi o mesmo Pedro que O negou três vezes e aquele que pregou com ousadia no Dia de Pentecostes, quando quase três mil vidas foram salvas de uma só vez. Dos doze apóstolos, havia aqueles que eram mais achegados a CRISTO, ao seu Pastor: “Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte” (Mateus 17:1).

Como filho de DEUS, que tipo de ovelha você tem sido em seu deserto com o seu pastor? Tem imitado a CRISTO? Repito: mesmo sendo DEUS, mas em forma humana, não cessou uma única vez de obedecer. Por tão grande obediência foi julgado injustamente, trocado por um ladrão, humilhado, escarnecido, agredido, levado a uma cruz onde foi torturado até a morte. Tudo por obediência a DEUS, Seu Pai e Pastor. E tendo suportado tudo em silêncio, sem dizer uma palavra sequer. Motivos ELE tinha para murmurar. Poder também tinha para destruir a todos que zombavam e escarneciam dELE. Mas não fez. O deserto de JESUS aqui na terra como todo deserto espiritual tem seus propósitos. Nada é em vão. E meditando nas palavras que Paulo escreveu aos cristãos em Roma, você poderá mudar a sua atitude e estar mais próximo (a) da vitória: “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” (Romanos 6:16). DEUS nos abençoe!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é líder do Ministério Famílias para Cristo.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

8 respostas para O pastor e suas ovelhas

  1. Vaniilda disse:

    Tento da melhor maneira possivel ser uma ovelha de Deus, ando no caminho certo… para que possa sempre ser abençoada… Linda mensagem.

  2. Clodoaldo Dias Ribeiro disse:

    Gloria a DEUS,vemos depois de nós alimentar de um manjar como este,que somos falhos em muitas area de nossa vida,buscarei em minha vida o caminho direito,para ai sim receber a as benças do SENHOR !
    Fernando Cesar,que DEUS continue te usando para nós ajudar vc é um verdadeiro homem de DEUS,obrigado !

  3. Rosimere disse:

    Ufa!!! Deus é muito bom mesmo, e sem dúvida essa mensagem falou fortemente em meu coração, vou refletir muito em cima dela, Fernando que Deus te abençõe cada dia mais e te proteja contra todo o mal, vc tem sido o meu Móises, e glorifico o Senhor por sua vida.

  4. nao importa sua posicao na igreja ..seja pastor.lider de celula ..obreiro ..ou penas menbros todos nos somo ovelhas perante ha jesus cristo .amem.temos q ibdiencia a sua vontade e nao a nossa

  5. Denise Barros da Silva disse:

    Muito obrigado pela palavra,falou profundamente no meu coração…quero ser uma ovelha obediente ao meu Bom Pastor e submeter-me ao Seu querer para que eu possa ver as Suas promessas sendo cumpridas em minha vida no final do meu deserto.
    Muito obrigado,Pastor Fernando,estava precisando desse refrigério..

    Denise

  6. Ana Paula disse:

    Maravilhoso esse estudo muito edificante, veio de encontro a mim, a tudo que eu não tenho feito em meu deserto, mais aprendi e tenho pedido muito a Deus forças e sabedoria pra passar por esse momento.Fiquem todos na paz do Nosso Senhor Jesus.

  7. Rose Cleia Rodrigues disse:

    Esse estudo mostra o que realmente acontece ,muitas vezes comigo e com muitos outros
    Mas tenho me enpenhado a aprender ,orando ,jejuando ,lendo e ouvindo a palavra .
    Dou graças a esse Deus maravilhoso e misericordioso,que tem me levantado a cada queda,me fortalecendo com teu Espirito Santo amigo mestre e consolador .
    O CAIR É DO HOMEN MAS O LEVANTAR É DE DEUS,GLORIAS!!!!!

  8. cristina disse:

    Que Deus o abençoe, pois és escolhido entre muitos.E só quem tem fé como a tua sabe o que é permanecer na contra mão do mundo.Glorias a ele somente ele a quem humildemente pedimos sabedoria.Amem

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s