Divorciando-se do adultério: uma refutação

“Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, então, será que, se não achar graça em seus olhos, por nela achar coisa feia, ele lhe fará escrito de repúdio, e lho dará na sua mão, e a despedirá da sua casa. Se ela, pois, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem, e se este último homem a aborrecer, e lhe fizer escrito de repúdio, e lho der na sua mão, e a despedir da sua casa ou se este último homem, que a tomou a si por mulher, vier a morrer, então seu primeiro marido, que a despediu, não poderá tornar a tomá-la para que seja a sua mulher, depois que foi contaminada, pois é abominação perante o Senhor; assim não farás pecar a terra que o Senhor, teu Deus, te dá por herança” (Deuteronômio 24:1-4).

Os versículos acima transcritos, elaborados por Moisés, fazem parte do conjunto das leis civis do povo judeu. Eles, assim como o texto analisado e bem escrito pelo Pastor americano John Piper (ref. “Divórcio e Novo Casamento: Uma Declaração”), possuem um ponto que merece ser esclarecido à luz da Palavra de DEUS. É quando uma mulher, pela lei antiga dos judeus, era rejeitada pelo seu marido que lhe dava um escrito de repúdio. Essa mulher, então, casava-se com um segundo homem, e por este último também era rejeitada com o mesmo documento em mãos ou ele viesse a falecer. Tanto a lei como a análise do Pr. Piper consideram que essa mulher não poderia, em hipótese alguma, retornar ao seu primeiro marido, visto que já tinha sido contaminada por outro homem.

Logo que li o texto do Dr. Piper, fui incomodado pelo Espírito de DEUS para discordar apenas de um aspecto tratado por ele, quando se refere ao direito da mulher voltar ou não ao seu primeiro marido, nas condições apresentadas pela lei. O que dissertarei aqui é a impressão da minha fé, do conhecimento que o SENHOR me passou sobre matrimônio. Qualquer pessoa está livre para discordar e seguir os preceitos que achar corretos e verdadeiros, aplicando-os a sua vida. Só não entrarei em discussões e debates improdutivos, que não chegarão a lugar nenhum.

O que precisa ser entendido é o seguinte: o Sangue de JESUS, derramado na cruz do calvário, não podem, de maneira nenhuma, ser visto e aceito como um sacrifício impotente face a um erro cometido, porém confessado e abandonado de qualquer pessoa, independentemente da religiosidade que defenda. Ou seja, não há erro, pecado, falha ou deslize humano que não possam ser apagados, eliminados pelo Sangue do Filho de DEUS. Se eu admitisse que a contaminação da mulher adúltera, por ter se deitado com um segundo homem, estivesse fora do alcance do poder regenerador de CRISTO, estaria abrindo uma exceção para a propiciação dos nossos pecados e, o pior, reduzindo o valor de um sacrifício que não estabelece barreira nem exceções.

Como disse em outra ocasião, basta a qualquer ser humano se arrepender em sinceridade e abandonar o pecado, que ele encontrará a justificação e a remissão dos seus pecados. O que vale ressaltar aqui é que o perdão sincero e verdadeiro, quando possível, deve ser acompanhado de uma prática que o justifique. Por exemplo: no passado, agredi, moral ou fisicamente, uma pessoa que fazia parte do meu convívio diário. Depois de um tempo, reconheço diante de DEUS o quanto errei em ter tomado aquela atitude. DEUS me perdoará. Se o arrependimento foi verdadeiro, na primeira oportunidade que eu tiver, irei ao encontro dessa pessoa para também lhe pedir perdão e trazê-la de volta ao meu convívio (se essa convivência, claro, não trouxer prejuízos para minha comunhão com DEUS), demonstrando com isso que levo os frutos do Espírito Santo em minha vida. Entretanto, se essa pessoa tiver morrido pouco antes do meu arrependimento com DEUS? Como eu poderia me arrepender para ela? Impossível. Não há limite e condição estabelecidos por DEUS para nos perdoar. Aprendemos assim que o Sangue de JESUS é ilimitado, incondicional e todo poderoso. O apóstolo João escreveu em uma de suas Epístolas: “(…) o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado. (…) Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:7 e 9). Na mesma Carta, João ainda atestou: “Quem comete o pecado é o diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou para desfazer as obras do diabo” (3:8). Em Apocalipse está escrito: “(…) Aquele que nos ama e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados” (1:5). Percebemos, nesses textos, que, verdadeiramente, não há exceção alguma de pecados que o Sangue de JESUS não possa apagar.

A lei tratava e admitia a existência de um novo casamento. Jesus, porém, tratou de anular tal determinação, chamando um novo casamento de adultério, se o marido e a esposa estiverem vivos: “Qualquer que deixar a sua mulher e se casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera” (Marcos 10:11-12). A morte de uma pessoa adúltera leva o seu espírito ao inferno, como bem está escrito em 1 Coríntios 6:9-10: “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o Reino de Deus? Não erreis:  nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus” (grifo meu). Nenhum desses pecadores herdará a glória de DEUS no Céu, é bem verdade. Mas será que no céu não existirão ex-adúlteros, ex-sodomitas, ex-ladrões? Será que a mulher flagrada em adultério pelos judeus e levada à presença de JESUS não será livre dessa condenação no Grande Dia? E para onde irá Zaqueu? Para o inferno? JESUS respondeu àquela mulher: “nem eu também te condeno, vai-te e não peques mais” (João 8:11). Se eu desconsiderasse a presença de ex-homicidas, ex-ladrões, ex-adúlteros no Reino de DEUS, para onde irá Davi cujo coração DEUS afirmou que era segundo o coração DELE? Davi também foi adúltero; e, por acaso, depois do lindo arrependimento que fez no Salmo 51, não encontrou justificação por parte de DEUS? E o apóstolo Paulo, que antes de sua conversão se chamava Saulo e perseguia cruelmente a igreja de CRISTO aqui na terra? Também não irá ao céu? Se não, teríamos que atear fogo em todas as Cartas que ele escreveu, inspiradas pelo Espírito Santo, pois não faria sentido termos o testemunho e seguirmos os conselhos de um perdido e maldito para a nossa vida cristã.

E como DEUS não faz acepção de pessoas (o Juízo será o mesmo para mim, Paulo, Maria, Davi etc.), fica claro que, se uma mulher foi abandonada pelo seu marido, divorciada; casando-se pela segunda vez com um outro; sendo igualmente repudiada pelo segundo homem, quiser retornar ao seu primeiro e legítimo marido, ela deverá fazer, desde que peça perdão a DEUS pelo erro cometido. Esse retorno só será validado, abençoado e aceito pelo SENHOR se realizado debaixo do arrependimento, da consciência de que havia se tornado adúltera antes, assim como o marido deve perdoá-la. Uma volta sem arrependimento verdadeiro, sem confissão, sem lágrimas, significa que não estaria limpa do pecado que cometeu.

A vinda de CRISTO aqui na terra serviu, dentre outras coisas, para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, como também para tornar sem efeito as leis civis estabelecidas por Moisés no Antigo Testamento, que davam sustentação ao divórcio e a um possível segundo casamento de divorciados. Portanto, todo o contexto de Deuteronômio 24:1-4 foi anulado por JESUS CRISTO. ELE é a Nova Aliança e fez restabelecer o que o PAI havia determinado desde o princípio (“uma só carne e inseparáveis”). Em uma de Suas mais brilhantes sínteses, JESUS arrematou: “Não separe o homem aquilo que Deus uniu” (Mateus 19:6). É impossível ao homem separar aquilo que DEUS uniu e abençoou! Não há leis humanas que possam destruir a união selada por DEUS, visto que essa união vai além dos contatos físicos (homem e mulher). O casamento é uma aliança testemunhada por DEUS e registrada no Céu. Se pegarmos dois copos com água pela metade, com medida igual e perfeita, e juntarmos a quantidade de um copo a do outro copo; e, em seguida, quisermos separar novamente os mesmos dois líquidos como eram antes, veremos que será impossível. Assim é feito quando duas pessoas solteiras decidem se casar. Elas se tornam uma em CRISTO JESUS.

O casamento aliançado pelo Espírito Santo será cobrado no Dia do Juízo. Disso, não tenho a menor dúvida. Só os viúvos que decidiram se casar outra vez, desde que com pessoa cristã, escaparão da condenação do adultério; ou da condenação por não terem cumprido até a morte aquilo que DEUS determinou. Quem adultera, peca. Quem não deseja voltar para o seu cônjuge, ainda que não esteja em adultério, peca da mesma forma; pois demonstra impiedade, dureza do coração (como os Judeus) e rebeldia. A verdade de CRISTO é essa, aceite quem quiser aceitar. Como diria meu amado irmão Silas de São Paulo: “qualquer outra coisa é conversa de bêbado em porta de delegacia. O bêbado nem convence nem intimida o delegado”. Assim são os que tentam se iludir com falsas premissas sobre família e casamento. O martelo da indissolubilidade do matrimônio já foi batido por JESUS. Que DEUS nos abençoe!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo. 

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2 respostas para Divorciando-se do adultério: uma refutação

  1. Luiz César disse:

    Caro Pastor,

    Conforme apresentado no início do seu texto, para que comentemos concordando ou não, tomo aqui a liberdade de comentar que concordo plenamente com suas argumentações, Deus é claro quando trata da indisolubilidade do matrimônio, não há “ex-esposa” ou “ex-marido” (Não separe o homem aquilo que Deus uniu), o contexto que se aplica ao Divórcio remonta à lei antiga dos judeus.

    Em Cristo.

    LCC

  2. Milton Sergio Fantinato disse:

    Verdadeiramente irmao Fernando sobre este texto sobre refutacao ficou muito claro e agora que estamos na Graca depois da obra da cruz baseado no sangue precioso de Jesus nao teria o menor sentido acreditar neste pensamento de Piper. E como se realmente o sacrificio nao teria pleno poder, e acredito piamente que esta obra foi cabal, e que suas conviccoes a respeito da Palavra fortalece a mim e a todos que procuram levar realmente a serio os planos do nosso Criador e Salvador.
    A proposito fiquei muito contente em poder ter conversado com o irmao hoje, apesar de nao conhecer pessoalmente e estarmos tao longe geograficamente , melhor e mais proximo que parente e como um verdadeiro amigo, sincero e presente.
    Louvo a Deus pela sua vida , que Deus fortaleca irmao Fernando neste ministerio tao singular e de tamanha importancia pois todos nos que aqui estamos recebendo suas orientacoes e estudos estamos sendo edificados e moldados por Deus atraves deste espaco que vc nos concede. Muito obrigado. Eu agradeco em meu nome e de todos que aqui estao colocando seus testemunhos, pela excelencia desta obra.
    A Graca e a Paz. Ore irmao Fernando nao vejo a hora de poder publicar minha restauracao com minha amada esposa que jamais esqueci, tenho tantas saudades dela que as vezes da impressao de nao poder aguentar, e deixo registrado que o pecado que cometi me trouxe tanto desconforto e tristeza que desejo abrir minha boca e aonde tiver espaco testemunhar para que ninguem venha a cometer tamanha loucura, o sofrimento querido irmao Fernando e muito grande, o vale, o deserto, a aridez, enfim o chao saiu dos meus pes mesmo. Quanta ilusao, tristeza e desgosto, ahh somente quem experimenta e verdadeiramente se arrepende pode compreender isto. Mas tenho proposito com Deus em que assim que Ele fizer este milagre vou anunciar aonde estiver a comecar por seu Ministerio, pode esperar que deixarei registrado para a Gloria de Deus. Graca e Paz irmao Fernando, me perdoe ter me extendido neste comentario, mas precisava escrever, estava pulsando em meu coracao. Uma excelente tarde de domingo.

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