A banalização da violência urbana

“Antes, no coração forjais iniquidades; sobre a terra fazeis pesar a violência das vossas mãos” (Salmos 58:2).

                  

A cada amanhecer mais a violência urbana se agiganta diante dos nossos olhos. Vivemos sob a impressão de um mundo sem leis, nem autoridades, nem segurança pública alguma. Especialistas, a toda hora, são convidados a dar explicações e nos fazer entender as causas de uma violência tão impressionante. Psiquiatras, psicólogos, médicos, cientistas, teólogos, mestres em segurança pública. Os discursos, muitos dos quais presos a teorias herméticas, são quase sempre os mesmos. Nenhum desses especialistas consegue nos responder de forma convincente as seguintes perguntas: Por que o homem é tão mau? De onde surge essa malignidade? E como combatê-la?

Durante todo o século XIX duas correntes de pensamento se opunham. A primeira dizia que “o homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe” (Jean-Jacques Rousseau). A segunda defendia exatamente o contrário: “o homem é mau por natureza” (Niccolò Machiavelli). Ambas, embora antagônicas, não conseguem explicar a origem do mal nem tampouco abrem veredas para a sua resolução.

A violência é tão antiga quanto à existência humana. Ela não é decorrente da programação das emissoras de TV, da Internet, de algumas manifestações culturais ou religiosas. Nem mesmo ela surgiu no projeto criacionista de DEUS. DEUS fez o homem bom, puro, amável, sem malícia. Um dos primeiros registros de violência que se tem notícia surgiu na Bíblia Sagrada, ainda no livro de Gênesis, quando Caim assassinou o seu irmão Abel. Naquele tempo, não havia grande população, nem tecnologia, nem rádio, nem TV, muito menos a Internet. Eu diria que esses veículos de informação estimulam mais e mais a tendência e o desejo do homem de ser violento, mas não são as geradoras da violência a que assistimos. O ser humano passou a cultivar a semente da violência em si, quando, ainda no Éden, desobedeceu a DEUS e, assim, ficou longe da Sua presença. DEUS se afastou do homem. A partir dali, impossível torná-lo a ser bom, puro, honesto, sem nenhuma tendência a ser violento. O mal começava ali e chegaria aos nossos dias com manifestações impressionantes.

A conclusão mais óbvia e mais assustadora também de ser dita é que a violência nunca terá controle nem fim. Nunca! Não há leis, campanhas em favor da Paz e do desarmamento, nem autoridades competentes recebendo altos salários, nem instituições de segurança pública bem sofisticadas, nem presídios, nem religiosidades, que façam eliminar a violência do nosso meio. A banalização da violência que ora assistimos diante de nós e nos deixa perplexos é produto da malignidade instalada no coração de todo ser humano, quando ele optou em desobedecer a DEUS, e o faz até os dias de hoje. O que vimos fora de nós, na verdade, é apenas o reflexo e a manifestação daquilo que surgiu e está abrigado em nosso interior. A expansão da violência social é fruto de uma natureza humana degradada, caída, corrompida, mascarada, egoísta, hipócrita, corrupta, suja, individualista, mentirosa, rebelde, sem temor a DEUS. Por isso nos parece tão contraditório países ricos, bem protegidos em sua capacidade armamentista, com leis tão severas, possuírem altos índices de homicídios. Armar-se nem desarmar-se será a solução para o combate à violência. Como é contraditório também países com grande diversidade religiosa, infinitos templos e doutrinas como o Brasil, fazerem parte dessas tristes estatísticas. Ser mais nem menos religioso não resolverá o problema grave da violência nos países.

Não me custa afirmar, nem querendo ser simplista nem repetitivo em minha singular análise, que o problema maior da violência urbana está no seio da família totalmente esfacelada. Isso reflete e se expande fora dela, vai muito além das portas de uma casa: invade a sociedade e ganha feições melancólicas e inacreditáveis. No passado, crianças foram brutalmente assassinadas na Candelária, no Rio de Janeiro. Depois uma outra criança foi arrastada por um automóvel em um asfalto quente como se fosse um boneco sem valor algum. Adiante assistimos a filhos planejarem a morte dos próprios pais, de olho na herança deles. Vimos também, quase que ao vivo, um pai atirando a sua filha da janela de um edifício em São Paulo. Doeu em nossa alma saber que 12 crianças foram assassinadas covardemente dentro de uma escola também no Rio de Janeiro. O que poderia ser casos isolados tornou-se algo comum, porque há inúmeros outros que não são divulgados pela mídia e que não chegam ao nosso conhecimento. Assistimos a tudo e nos perguntamos: até quando?

Mas há outros tipos de violência, tão estarrecedores quanto os citados, que as pessoas, os intelectuais, os pensadores desse país não conseguem enxergar como violência. É a chamada violência mascarada, que atinge diretamente a estrutura familiar. São os reality show da vida; o conteúdo agressivo, promíscuo e pornográfico das novelas, que são exibidas em pleno horário familiar, sem restrição alguma e com interesse de alta lucratividade por trás; os carnavais que para muitos são diversão ou manifestação cultural, que usam os “menores” como cobaias para encher o bolso dos “maiores”; são as leis destruidoras, como a Lei do Divórcio, que facilita a destituição familiar; leis a favor do aborto, do casamento homossexual etc. Quem cria esses instrumentos de violência geralmente se beneficiam deles ou beneficiam pessoas muito próximas. Como vimos, nós somos vítimas e, ao mesmo tempo, autores da violência. Vítimas porque de certa forma, e de maneira indireta, somos incentivados, por meio das instituições organizadas, a cometermos atos brutais de violência. Autores, porque possuímos uma natureza suja, desejosa por praticar o mal. O curioso é que a violência cresceu tanto ultimamente que as religiões, que antes foram criadas como uma tentativa de ajudar o homem a ser bom, corromperam-se igualmente. As suas lideranças se corromperam; caíram e não se levantaram, porque acharam o pecado bom. Foram seduzidas pela ganância, pelo dinheiro, pelas riquezas; e passaram a viver de hipocrisia. Vivemos em uma época em que não se consegue mais separar bons e maus. A corrupção humana atingiu tal grau que muitos estão dividindo o lençol com o seu maior inimigo.

Para os cristãos, seguidores fiéis da Palavra de DEUS, tudo o que se assiste hoje é o cumprimento do que outrora foi registrado, e a aproximidade do fim dos tempos: “Respondeu-lhes Jesus: acautelai-vos, que ninguém vos engane. Pois muitos virão em meu nome, dizendo: eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. Ouvireis de guerras e rumores de guerras, mas cuidado para não vos alarmardes. Tais coisas devem acontecer, mas ainda não é o fim. Levantar-se-á nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes, pestes e terremotos em vários lugares. Todas essas coisas, porém, são o princípio das dores. Então vos hão de entregar para sermos atormentados e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo muitos se escandalizarão, trair-se-ão mutuamente e se odiarão uns aos outros. Surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de quase todos esfriará” (Mateus 24:4-12).

Quem é DEUS em toda essa história? Quem é JESUS? Apenas mais um líder de fanáticos cristãos, que conseguiu seduzir até os dessa geração? Para uns, DEUS é mais uma entidade sobrenatural, que refúgio espiritual apenas para as horas de angústia, da dor e do sofrimento. Para outros, é uma imagem pendurada no centro da sala ou no quarto, ou mesmo uma Bíblia aberta sobre a estante no Salmo 23, que muitos sabem decorado o primeiro versículo: “O Senhor é o meu pastor, e nada me faltará”. Ser bom, em nossa sociedade atual, é fazer o bem, a caridade; é matar a fome do próximo ou ajudá-lo quando necessitar. Para essas pessoas, ser bom é não mentir, não roubar, não trair; é dizer que tem DEUS em sua vida. Somente isso. A nossa sociedade contemporânea é recheada de falsos conceitos, de ideias fragilizadas acerca do bem e do mal, impregnada de sofismas. Esses enganos conceituais também geram violência, porque eles não transformam radicalmente o caráter do homem, antes o enganam.

A violência é a ausência do Amor Ágape nos corações. Somos muito violentos à medida que nos tornamos religiosos e adotamos para nós métodos fraternais e caridosos de vida, atraindo para nós toda a glória e falsos interesses. Somos violentos quando não conseguimos entender que a violência causada pelo outro foi também criada por nós, quando não temos um coração piedoso e disposto a perdoar incondicionalmente, e adotamos a lei do “olho por olho, dente por dente”. A falta de misericórdia e de perdão gera muita violência social. Somos extremamente violentos quando não desejamos renunciar ao nosso EU, abrir mão das nossas riquezas individuais, para ouvir e obedecer os conselhos do Filho de DEUS. Certa vez JESUS disse a um homem muito rico que desejava obter a salvação da sua alma e depois de saber que o tal homem fazia obras maravilhosas: “Falta-te uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu. Então vem, e segue-me” (Marcos 10:21). Aquele jovem cumpria todos os mandamentos ao pé da letra, mas não desejou abrir mão de suas riquezas, do EU dele, que tanto o aprisionava, para seguir a JESUS. Ele demonstrou ser uma pessoa má, embora nunca tivesse segurado uma arma nem cometido homicídio algum. Aquele jovem era mau porque quis ser bom para si mesmo, rejeitando a ordem de JESUS. Assim são muitos hoje em dia. Não querem reconhecer-se pecadores, inúteis, destituídos da glória de DEUS, imundos e rebeldes diante do PAI. São esses mesmos que tratam o amor como um mero sentimento, e não como uma renúncia de si próprio, uma atitude; são hipócritas, religiosos. Os mesmos que alisam na frente e atiram pelas costas. São os que bebem, metem, exploram a fé alheia, prostituem-se, e, finais de semana, escondem-se por trás de alguma máscara religiosa. Eles não se reconhecem inúteis, soberbos, longe de DEUS e criticam duramente aqueles que procuram viver uma vida de obediência a DEUS e são contrários às novelas e a determinados programas de TV (muitos desses com o objetivo de descontrair), às músicas seculares (afinal que mal há nesses versos: “o amor é um grande laço, um passo para a armadilha, um lobo correndo em círculo, para alimentar a matilha. Comparo a sua chegada, com a fuga de uma ilha, tanto engorda quanto mata, feito desgosto de filha”? – Faltando um Pedaço, Djavan), aos carnavais do mundo (afinal o que há de errado em participar ou mesmo assistir a eventos como esse?). Que mal há em tudo isso? Perguntam eles, cegos, ignorantes por não conseguirem enxergar uma violência tão evidente.

Na verdade, as pessoas que dizem ter DEUS em suas vidas não têm DEUS. Por uma simples razão: nenhuma delas deseja renunciar as suas vontades, nascer da água e do Espírito Santo, sacrificar a natureza corrompida, obedecer e viver os conselhos de CRISTO; tirar a velha natureza para dar lugar a natureza de DEUS. O mundo é constituído por dois grupos: um formado por pessoas religiosas, caridosas, sábias em suas teorias, que contribuem de alguma forma com a violência que aí está, e a elas se juntam às pessoas explicitamente más, que executam a violência sem nenhum pudor; e um grupo de pessoas bem menor em quantidade, que procura viver a vida de CRISTO nesse mundo, os verdadeiros cristãos e filhos de DEUS. Esse segundo grupo, vivendo uma vida de CRISTO, não produz nenhum tipo de violência, porque DEUS nessas pessoas é a expressão máxima do Amor vivo e verdadeiro. As pessoas do primeiro grupo estão em um mesmo nível de degradação humana, apoiadores ou geradores da violência, porque nenhum desses quis nem quer nascer de novo, viver uma vida em CRISTO JESUS. Como eles são maioria, arrogantes, presunçosos, vaidosos em seus entendimentos, acham-se sábios demais, muitos deles religiosos; bons neles mesmos; desejam a glória para si; a violência desse mundo nunca terá solução. É dessa realidade que está aí para pior. A violência aumentará muito mais e terá tipos antes nunca imaginados pela mente humana. Aguardem!

De fato, as palavras de JESUS estão certíssimas, são perfeitas! Entre mortos e feridos, eu sei que um lugar melhor está reservado a mim e a todos os filhos de DEUS, aqueles que nasceram de novo, esforçam-se por obedecer a Palavra de DEUS, têm o caráter transformado e controlado por CRISTO, são pecadores remidos pelo Sangue do Cordeiro e procuraram alicerçar a vida e a família alinhada com os conselhos de JESUS. É só esperarmos a hora em que a trombeta irá tocar para trocarmos a nossa cruz pela coroa de vitória que nos está preparada. Na Nova Jerusalém não haverá violência alguma, nem lágrimas, nem sangue derramado, porque Jerusalém significa terra da Paz. Ora, vem, SENHOR JESUS!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo. 

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2 respostas para A banalização da violência urbana

  1. Milton Sergio Fantinato disse:

    Irmão Fernando vc colocou um assunto muito interessante e extremamente atual, acho que não poderia ser mais propícia a hora. Excelente espaço para tal ab ordagem, sabe que nos anos 70 salvo engano assisti a um filme chamado Laranja Mecanica, ele retrata exatamente a extremada necessidade de o homem secular usar essa violencia nata, incrível, chega as raias da loucura, jovens de classe média alta com uma necessidade tão arraigada em atacar, fisica e moralmente as pessoas de tal forma a humilhar eu diria mesmo a estraçalhar com a menor dignidade que pudesse restar depois de praticarem os seus atos covardes e …… sem palavras, tamanha brutalidade.
    E ao que tudo indica nem mesmo o proprio autor e o diretor talvez não tenham alcançado o verdadeiro motivo para essas atitudes, oriundas evidentemente lá no começo em Genesis, a abordagem fica como que flutuando dando a cada um uma liberdade de pensar em respostas humanas, que jamais alcançaria qualquer homem natural, sem uma experiencia genuína com Deus.
    A colocação que o irmão fez referente ao ser religioso, acredito que está aí um problema de proporções que infelizmente somente percebemos e digo isto por experiencia própria quando já está na estrada a muito rodado. Logo no início quando Jesus tem liberdade por nós aberta em nossos corações ficamos como uma criança no colo de mamãe desmamados até o leite escorrer pelos cantos de nossas bocas, relaxados, entregues verdadeiramente em braços nunca antes descansados, braços fortes, poderosos e acima de tudo protetores, mas passado algum tempo vem por nossa parte o reparar nos demais, cobrando, corrigindo muitas vezes com duras palavras, até espantando pessoas, acredite fui certa vez chamado de MALA, por que tinha tanta sede em pregar a Palavra, mas ainda na ocasião em questão não compreendia bem aquela passagem de não jogar pérolas a porcos., por isso pequei em insistencas intermináveis, coisa que hoje não mais faço. Importante ressaltar irmão Fernando que somente quando entendi , quando calou em meu coração o significado da Palavra GRAÇA foi que pude compreender todo este emaranhado.
    Aí pude ver que todo este se debater na rede como um peixe somente descansa quando morre. Assim é com a gente precisamos nos debater até morrer, e finalmente descansar.
    Somente me permita narrar um episódio que marcou-me , certa vez na Igreja local a qual participo um pastor já com seus 72 anos (salvo engano), numa quarta-feira a noite pregava e chamou a certa altura da pregação a atenção dos membros do louvor que subiam e desciam as escadas do interior da Igreja, mas educadamente alertou que eles também seria bom que ouvissem a menssagem assim como os demais e de pronto um (pirralho) com o perdão da palavra, não tinha mais que uns 25 anos creio, cuidava do som, chamou lá do alto a atenção deste senhor pastor, para que repreendessem eles em particular e com tom bastante audacioso, e veja bem em se tratando de um senhor idoso, repsitado e admirado pelo seus ensinamentos, pois este pastor abaixou a cabeça e como se fizesse uma prece após alguns segundos seguiu com sua mensagem serena e firme, com uma convicção que me deixou impressionado, tanto pela humildade como sabedoria em lidar com aquela situação inesperada. E sabe qual era a mensagem irmão Fernando>>>>> Novo Nascimento, ele hoje dorme, não mais está em nosso meio.
    Vi isto também como uma violencia. Violencia velada, guardada nos corações a ponto que a qualquer momento dar-se-á o bote.
    Infelizmente verdadeiramente nós precisamos muito nos conhecer a nós mesmos, pode até ser uma redundância mas assim fica bem claro.
    Muito obrigado pelo espaço irmão Fernando a Graça a Paz esteja com você e os seus.
    Boa Tarde.

  2. Ricardo Vieira disse:

    Pastor Fernado, sou Oficial da Polícia Militar de Minas Gerais e corroboro com o seu artigo e entendo que as Igrejas possuem um papel fundamental nas questões de segurança pública e combate a violência, principalmente porque a banalização da violência compromete diretamente a segurança espiritual, já que “a nossa luta não é contra a carne ou sangue e sim contra todo principado e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”. Gostaria que pudéssemos nos encontrar para discutirmos melhor o assunto, pois na condição de Policial Militar e Comandante de uma fração da PM no interior de Minas Gerais, dei início a um trabalho que visa envolver as lideranças evangélicas na complexa missão de resgatar vidas e reestruturar famílias para diminuir a incidência da Violência Urbana. Um grande abraço e que deus de abençõe.

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