Perdendo para se encontrar

“Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por minha causa, achá-la-á”. (Mateus 10:39)

 

Todos os cristãos do mundo foram chamados e separados por CRISTO para perder a sua vida perdida, para abrir mão do EU que aprisiona o ser humano. Que chamado tremendo! Essa vida de renúncia não é para todos, mas para alguns poucos que rejeitam a sua felicidade e o projeto pessoais para ouvir e atender ao chamado de JESUS.

O versículo introdutório traz o principal conselho para quem deseja viver uma vida com DEUS e libertar-se do egoísmo. O EU humano é o maior inimigo dele mesmo. Desde cedo, a pessoa é educada a buscar caminhos de felicidade. Por isso a frase mais comum é “seja feliz!”. A felicidade é a meta. Não importa com quem, nem por onde, mas a pessoa fará qualquer coisa para alcançá-la. Vale tudo. Até transgredir os conselhos de CRISTO e usar as Suas misericórdias como justificativas para uma prática errada, pecaminosa. Quantos, neste mundo, estão dispostos a renunciar a tudo e seguir JESUS? Ao contrário, preferem viver para as suas cobiças e a dividir a glória de DEUS com elas. A perda, que comumente é símbolo de derrota e de fracasso para os incrédulos, aqui, à luz da Sabedoria divina, representa o caminho do céu e de quem deseja “arregaçar as mangas” e trabalhar para o Reino de DEUS.

Aquele que não se dispõe a viver uma vida de novidades com DEUS jamais poderá encontrar o tesouro valioso da eternidade. Imagine você se encontrando com JESUS numa estrada e ouvindo dELE que, para segui-lO, você primeiro terá que perder totalmente a sua vida velha. JESUS, em todas as ocasiões, por onde passava, colocava essa condição como primeira e indispensável para que uma pessoa pudesse alcançar a vida eterna. O Filho de DEUS disse certa vez a um homem muito religioso, príncipe dos fariseus, que era impossível conhecê-lO sem que antes passasse por essa maravilhosa experiência da perda.

Perder a própria vida por Amor a DEUS significa superar o egoísmo, principal obstáculo para um homem conhecer o plano de salvação da alma. Essa felicidade pessoal, desenvolvida em cima de puro egoísmo, impede o homem de ouvir a Voz de DEUS e o torna religioso. Assim ocorreu quando um jovem rico perguntou a JESUS o que era preciso fazer para segui-lO. “Disse-lhe Jesus: se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Então, vem e segue-me. O jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades” (Mateus 19:21-22). Um conceituado médico russo, quando estava bem perto de morrer fuzilado por causa do seu testemunho cristão que se havia espalhado por todo o país, fora-lhe perguntado se não aceitava o alto posto de Ministro da Saúde em troca de negar JESUS CRISTO como Senhor e Salvador de sua vida. Ele não aceitou. Disse que nada nem ninguém poderiam roubar a certeza de que muito breve estaria com CRISTO. Depois disso foi executado sumariamente. Há uma profunda diferença de atitudes entre o jovem rico, da parábola bíblica, e o médico russo. Enquanto o primeiro era preso às suas fortunas terrenas e fazia disso o seu deus e a sua segurança; o segundo preferiu perder a sua própria vida pelas mãos dos homens, liberto interiormente dos bens terrenos que era, para que, adiante, pudesse estar no Reino dos Céus. A vida com CRISTO é uma vida de renúncias. E a primeira delas certamente é renunciar a si mesmo; aos erros e aos pecados; revestir-se, através da confissão sincera, do Sangue de JESUS e receber a presença do Espírito Santo em sua vida. 

Quando alguém me pergunta se sou feliz, eu respondo: “sou santo, por isso sou feliz”. A minha felicidade é consequência da vida de obediência a DEUS que procuro seguir a cada dia. Já perdi a minha vida velha, desgastada, desbotada, e passei a sofrer por amor ao Evangelho. Perdi-a para nunca mais encontrá-la. Perder a própria vida significa então abandonar a velha criatura; reconhecer-se pecador. É uma perda que gera um encontro maravilhoso e inesquecível com DEUS. No caminho para Damasco, o jovem Saulo perdeu a sua vida de perseguidor da igreja cristã e a recebeu transformada, já como Paulo, e tornou-se apóstolo de JESUS. O Salvador nos lembra: “Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por minha causa, achá-la-á” (Mateus 10:39).

Um dos paradoxos da vida é que uma pessoa que aborda tudo com a atitude “o-que-eu-ganho-com-isso” pode conseguir dinheiro, propriedades e terra, mas ao final perderá a satisfação e a felicidade que sente uma pessoa que compartilha seus talentos e dons generosamente com outros. O apóstolo Paulo largou a sua vida tranquila para uma vida de lutas e dissabores, onde foi subjugado, torturado e humilhado por Amor a outros milhares de desconhecidos e a DEUS, que o chamou para uma grande missão. Ele não pensou: “o que receberei em troca ao me tornar cristão”. A vida de Paulo me remete a uma grande verdade: o verdadeiro cristão foi chamado para, inicialmente, sofrer; e, em sua trajetória, ser mais que vencedor. Perdendo, sofrendo e vencendo. Esses devem ser os três grandes pilares do cristão.

Precisamos nos conscientizar da enorme necessidade que temos de seguir a JESUS; independentemente do que ELE venha a fazer por nós. Maior sacrifício fora realizado na cruz, quando do grande plano de salvação para os filhos de Deus: “(…) Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:8), e “(…) Pai, faça-se a tua vontade” (Mateus 26:42). E assim Ele se tornou o nosso Salvador. O egoísmo é uma das características humanas mais desprezíveis, que precisa ser superada urgentemente; ele nos afasta do Reino de DEUS. Torturamos nossa alma quando nos concentramos no obter em lugar de dar. Precisamos exercitar essa capacidade de fazer pelo outro e por DEUS sem que esperemos o que vamos receber em troca disso.

Em 11 de setembro de 2001, as torres gêmeas do World Trade Center em Nova York foram atingidas por aviões controlados por terroristas que provocaram o desabamento das duas torres. Milhares de pessoas foram mortas. Devido a essa tragédia, soubemos de centenas de histórias de atos corajosos e altruístas. Um relato muito tocante e heróico encontra-se na história veiculada pelo jornal “Washington Post” a respeito do coronel do exército aposentado Cyril “Rick” Rescorla, que trabalhava como vice-presidente de segurança empresarial do “Morgan Stanley Dean Witter”. Rick era um ex-militar com muita experiência como líder de combate. Estava no escritório quando o primeiro avião atingiu a torre norte às 8h48. Ele recebeu um telefonema do 71º andar comunicando uma bola de fogo em uma das torres do World Trade Center e ordenou imediatamente a evacuação de todos os 2.700 funcionários do segundo edifício, assim como de mais 1.000 do quinto edifício. Utilizando seu megafone, ele subiu os andares, passando por uma área obstruída no 44º andar e chegou até o 72º ajudando a evacuar as pessoas de cada andar. Uma testemunha contou que viu Rick tranquilizando pessoas no 10º andar e disse a ele: “Rick, você tem que sair também”. “Só depois que estiver certo de que todos saíram”, replicou. Ele não estava de forma alguma perturbado. Estava colocando a vida de seus colegas antes da sua própria. Ele ligou para a sede do banco para avisar que estava voltando para cima para procurar pessoas perdidas. A sua esposa assistira o jato da “United Airlines” bater contra sua torre. Depois de algum tempo o telefone tocou. Era Rick. “Não quero que chore”, disse ele. “Tenho que evacuar meu pessoal agora”, completou. Mas ela continuou a soluçar. “Se algo acontecer comigo, quero que saiba que você sempre foi a razão da minha vida”. A ligação caiu. Rick não sobreviveu. O “Morgan Stanley” perdeu apenas seis de seus 2.700 funcionários na torre sul em 11 de setembro, um milagre isolado em meio à carnificina. E os executivos da companhia disseram que Rescorla merece a maior parte do crédito. Ele preparou um plano de evacuação. Ele levou apressadamente seus colegas para um lugar seguro. E então, aparentemente, retornou ao inferno para procurar pessoas que estavam perdidas.

Em meio à grande maldade e carnificina de 11 de setembro de 2001, Rick não procurou saber o que ganharia com o ocorrido; em vez disso pensou desprendidamente nas pessoas e no perigo que enfrentavam. Rick Rescorla era “o homem certo no lugar certo na hora certa”. Rick, “um gigante de 62 anos de idade que friamente sacrificou sua vida pelos outros”.

De todas as atividades que desempenhei na terra a de servir a CRISTO é a melhor de todas, assim como fazer parte de Sua igreja. Largar, jogar fora uma vida de pecados, foi a melhor perda que poderia ter me acontecido. Uma perda que me trouxe uma grande conquista: a salvação da minha alma. Às vezes é preciso perder temporariamente um marido, uma esposa, um filho, uma filha, um sonho, para recebê-lo na frente modificado. Se você sofre com uma perda momentânea que teve, foi porque não entendeu o propósito de DEUS para a sua vida. DEUS o (a) fez jogar fora o que estava errado, perder o que estava torto, mas te oferecer adiante maravilhosamente transformado. ELE é o Oleiro. Você, sua família, são o barro na mão desse Oleiro. Preste bem atenção: o Oleiro não deixa que a peça de barro caia e se despedace no chão. Ela vai ganhando formas novas em Suas mãos.

Cada atividade que desempenhamos traz uma recompensa diferente, mas a de perder a vida por Amor de DEUS produz a Paz verdadeira, além de garantir um lugar de honra e de destaque no reino da Sua glória e do Seu Amor…

(Dedico este estudo à Ettiane Pena, que hoje pela manhã estava muito deprimida. Perdendo o quê, Ettiane? A alegria de viver? Não foi isso que JESUS nos ensinou…)

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo. 

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2 respostas para Perdendo para se encontrar

  1. Luiz César disse:

    Prezados,

    De fato a certeza e a FÉ em Deus coloca em nós este sentimento que o deserto tem um propósito e é passageiro. Permaneçamos firmes, pois nossos cônjuges (que estão afastados de Deus) precisam de nossa fortaleza (junto de Deus). Não percamos a esperança, não vamos abrir mão de acreditar e lutar pela restauração de nossas vidas em FAMÍLIA.

    Paz!

    LCC
    Brasília-DF

  2. Luiz César disse:

    Prezados, paz e bem!

    Este é mais um daqueles textos que o Pastor Fernando nos presenteia com seus ensinamentos e orientações. Louvado seja Deus pelo seu trabalho, lembremos de rezar por ele e por sua família em nossas orações.

    Hoje quero compartilhar com vocês uma analogia que li, que me remete ao pensamenteo sobre este texto, sobre “perder-se para se encontrar”, de esvaziarmos de nós mesmos para que Deus atue em nossas vidas.

    Nesta época do ano (hoje 24.06) se celebra o nascimento de João Batista, aquele homem que veio para anunciar o Cristo. Ele nasceu no período do ano que se tem os menores dias e as maiores noites (período escuro, fraqueza do homem).

    Celebramos o nascimento de Jesus Cristo em Dezembro, período do ano que se tem os maiores dias e menores noites (período de luz, força de Deus em nossas vidas).

    Aproveitemos então mais este ensinamento, mais este entendimento para agirmos como nos ensina São Paulo Paulo (Gl 2,20) “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim…”. .

    Parece difícil? Parece absuro? Mas é isso mesmo! Quando já não temos mais forças, quando não temos mais argumentos com nossos cônjuges, quando parece que nada mais pode ser feito, é aqui que REALMENTE começa acontecer, pois é quando DEUS faz.

    Lembremos também da passagem da pesca milagrosa, quando Pedro diz que já tentou de tudo, fez o que podia e não pescou nada, mas por acreditar na Palavra de Jesus ele se mostra obediente e faz o que Jesus manda, lança novamnete a rede: (Lc 5,5) “Simão respondeu-lhe: Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede.”

    Finalizo com aquilo que nos traz o Salmista (Sl 15,5): “Senhor, vós sois a minha parte de herança e meu cálice; vós tendes nas mãos o meu destino.”.

    Entreguemos sim as nossas vidas nas mãos daquele que nos ama infinitamente.

    Paz!

    LCC
    Brasília-DF

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