Crônica sobre o louco da Quintino Bocaiúva e o pregador da Praça da Sé

“E ali haverá um alto caminho, um caminho que se chamará O Caminho Santo; o imundo não passará por ele, mas será para o povo de Deus, os caminhantes; até mesmo os loucos não errarão” (Isaías 35:8).

Não sabia ao certo se ele era louco. Mas aquele senhor, aparentando pouco mais de 60 anos de idade, olhos arregalados, bem na esquina da Quintino Bocaiúva, centro da capital paulista, segurava firmemente, em uma das mãos, a Bíblia Sagrada. Ia de um canto a outro, anunciando a salvação em CRISTO JESUS, com uma voz um tanto exaltada, aparência um pouco assustadora, para os que ali passavam dirigindo-se para os seus negócios ou as suas ociosidades.

Nunca tive a certeza de sua confusão mental. Mas em algum momento pude ouvir o texto que saia de sua boca, em tom aparentemente descontrolado: “…nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros (…) herdarão o reino de Deus” (1 Coríntios 6:9-10).

“Meu Deus, foi o exato texto que eu havia lido há alguns dias quando da pregação que ministrei em uma igreja da Zona Leste de São Paulo, cujo pastor-presidente não gostou muito, não”, afirmei em meu pensamento.

Aquele cidadão da Bocaiúva parecia um pastor renomado, pregando em um púlpito de luxo para uma multidão atenta, não muito satisfeita com o que repercutia da sua voz, com uma autoridade vinda dos Céus. Porém, ele não se importava se a plateia era inexistente, indiferente, ou que, quando parava para ouvi-lo, fazia apenas para escarnecê-lo. Mesmo assim, não se detinha em sua missão: anunciar o Evangelho de Salvação. Por isso bradava cada vez mais forte: “adúlteros não herdarão o reino de Deus!”

Talvez a cidade estivesse mesmo repleta de pessoas escravas desse mal, conscientes ou inconscientes. Mas o que fazer? A própria Palavra de DEUS afirma que quem vive de acordo com o mundo jaz no maligno. O que preocupa e entristece verdadeiramente são os templos, que carregam o nome do SENHOR JESUS, estarem cheios de adúlteros e adúlteras, também conscientes e inconscientes.

O pecado do adultério começa mesmo no olhar, como bem disse JESUS. Ele se manifesta quando uma pessoa casada cobiça uma outra, deseja sexualmente uma terceira pessoa que não é o cônjuge. Do olhar à relação sexual ilícita. Da vida à morte. Hoje em dia é muito comum encontrarmos casamentos que não funcionam bem especialmente por causa do pecado do adultério e pessoas impacientes, impiedosas, envolvidas, querendo a separação a qualquer custo. Muitas das quais não alicerçam a própria vida e a família segundo as Sagradas Escrituras. E tudo onde DEUS não se faz presente tende a ruir. O problema não é o pecado em si, mas a falta de temor a DEUS quando se pratica. Afinal, o rei Davi foi um dos maiores adúlteros da história, mas como todo bom e servo de DEUS, arrependeu-se e abandonou o pecado, chegando a receber o seguinte reconhecimento da parte do PAI: “(…) Achei Davi, filho de Jessé, varão conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade” (Atos 13:22). Davi, que até tinha mandado matar na linha de combate Urias, o marido de Bate-Seba, a qual cobiçava, encontrou em DEUS tempo de arrepender-se e abandonar: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo o teu constante amor; segundo a tua compaixão, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões; e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal diante dos teus olhos, de modo que és justificado quando falas, e puro quando julgas” (Salmos 51:1-4). Diferentemente de Saul que o antecedeu no trono, Davi cometeu aos olhos humanos pecados muito mais graves. Porém, a maneira como Davi reagiu ao mal que praticou agradou a DEUS. Ele se arrependeu, teve temor, abandonou tudo de ruim e morreu com a Palavra de DEUS em sua boca: “O Espírito do Senhor fala por mim, e a sua Palavra está na minha boca. Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: quando um justo governa sobre os homens, quando governa no temor de Deus, é como a luz da manhã ao sair do sol de uma manhã sem nuvens, como o esplendor depois da chuva que faz brotar da terra a erva. Não está assim com Deus a minha casa? Não estabeleceu ele comigo uma aliança eterna, em tudo bem ordenada e segura? Não fará ele prosperar toda a minha salvação e todo o meu desejo? Porém os filhos de belial serão todos lançados fora como os espinhos, pois não se pode tocar neles. Mas todo aquele que os tocar deve usar uma ferramenta de ferro ou a haste de uma lança; a fogo serão totalmente queimados no mesmo lugar” (2 Samuel 23:2-7).

Ao final de uma das pregações em São Paulo, uma mulher aproximou-se de mim e exclamou, sem nenhum constrangimento: “Pastor Fernando, segundo a Palavra de DEUS eu sou adúltera, moro com um homem que não é meu. Mas continuarei adúltera, enquanto o Espírito do SENHOR não me incomodar”. O que a irmãzinha proferiu nada mais é que o retrato da omissão de pastores e líderes no que se refere ao tema casamento. Quando falam, referem-se apenas à família constituída, dando instruções básicas de como cada um deve se comportar em seus lares à luz da Palavra de DEUS. As pessoas separadas e divorciadas são completamente ignoradas nos sermões preparados nos púlpitos. São como se carregassem em si o mal da lepra, e não tivessem voz nem oportunidade de serem curados e restaurados. Mas o JESUS que curou os leprosos há de restaurar todos os casamentos de quem busca e espera NELE. Por isso, quando se diz que o segundo, terceiro e quarto casamento, segundo JESUS, é adultério, a igreja se espanta e percebe o quanto está longe da presença de DEUS, pois muitos já se tornaram oficialmente adúlteros pela conivência, heresia e irresponsabilidade dos seus líderes.

Aquele louco de Bocaiúva não teve medo de bradar a Verdade. Muito mais: não teve medo de ser apedrejado naquela transversal movimentada, ser posto em uma cruz, lançado vivo em uma fogueira ou ter a cabeça posta em uma bandeja, como fizeram no passado com João Batista. Para a maioria, um fanático, lunático, alienado, que merecia ser internado em alguma clínica psiquiátrica. Para DEUS, um João Batista dos tempos moderno.

Caminho mais um pouco e chego até a famosíssima Praça da Sé, onde vejo uma escultura gigante do apóstolo Paulo, logo na entrada. A Praça da Sé é um dos principais pontos turísticos de São Paulo. Ora, reservei o dia para passear um pouco e reviver a metrópole mais movimentada da América Latina. Mas o Espírito do SENHOR me acompanha para onde vou. Vejo adiante uma grande quantidade de pessoas fazendo um círculo em volta de um outro homem, terno e gravata, sem microfone, com aspecto mais equilibrado, pregando a Palavra de DEUS. Parei para ouvi-lo. Uma das coisas que mais me chamou atenção foi quando ele afirmou que não estava ali para dizer o que as pessoas queriam ouvir, mas o que elas precisavam ouvir. Era mais um corajoso que aparecia em minha frente. Ele disse em alto e bom som: “irmãos, se eu estivesse aqui para agradá-los, estaria rico, talvez milionário, como muitos outros pregadores por aí estão. Quase todos vocês iriam depositar grandes fortunas, valores financeiros exuberantes; sairiam daqui com o ego massageado, mas com uma esperança infrutífera. Entretanto, estou aqui para ensinar a Palavra de DEUS, independentemente se vou agradá-los ou não”. Que bênção!

Logo em seguida, o pregador lê uma passagem de Paulo na Bíblia Sagrada: “Portanto, se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra. Pois morrestes e a vossa vida está oculta com Cristo, em Deus” (Colossenses 3:1-3). “As coisas da terra que devemos rejeitar não é uma planta, nem o rio. Mas a cobiça, a avareza, a idolatria e o adultério”, complementou o anônimo evangelista.

É… sem dúvida alguma, DEUS queria, naquela tarde, deixar algo plantado em nossos corações, no meu e no coração dos demais ouvintes: uma palavra viva, de exortação, de repreensão e também de confirmação. ELE teve uma mensagem específica para anunciar através dos seus dois servos: que está muito triste e incomodado com o adultério. ELE pede que nos arrependamos, abandonemos o pecado e vivamos uma vida de santidade. Por duas vezes, em poucos metros que separavam um e outro, NOSSO SENHOR insistiu com a mesma palavra: “Adúlteros não entrarão no Reino do Meu PAI!”

Às pessoas presentes, um alerta. A mim, a confirmação da Verdade de tudo o que tenho crido, escrito e pregado nas diversas igrejas por onde passei e ainda vou passar. A nós do Ministério Restaurando Famílias para CRISTO, a certeza de que estamos no caminho certo: renunciando a nossa carne, combatendo o adultério, convidando as pessoas a se arrependerem e a buscarem a restauração dos seus legítimos casamentos através do Poder de DEUS. Afinal, como bem escreveu o profeta Isaías no versículo de abertura: HÁ UM CAMINHO SANTO, POR ONDE SÓ OS JUSTOS E SANTOS ANDARÃO E NEM OS LOUCOS O ERRARÃO. Um dia, eu, você, o “louco” da Quintino Bocaiúva e o pregador anônimo da Praça da Sé estaremos assentados, frente a frente, no Grande Banquete celestial com o Nosso SENHOR e SALVADOR JESUS CRISTO para nos alegrarmos eternamente com ELE na Glória de DEUS. Aleluia! Ora vem, SENHOR JESUS!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é Pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo.

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2 respostas para Crônica sobre o louco da Quintino Bocaiúva e o pregador da Praça da Sé

  1. Luiz César disse:

    Prezados,

    Embora tenhamos tantos exemplos de pessoas que aceitam o divórcio como algo “normal”, “comum”, “sinal da evolução da sociedade”… contamos ainda com estes personagens apresentados pelo Pastor Fernando nesta crônica, são apóstolos da Palavra de Deus anunciando a VERDADE.

    Nossa firmeza, nossa FÉ, nossa confiança em Deus é tudo que podemos oferecer para que Deus realize em nossas vidas (nossa e de nossos cônjuges) o milagre da restauração de nossos matrimônios. Se o mundo ainda insiste em dizer que isso não é possível, lembremos que nosso Deus é o Deus do impossível. Cabe-nos fazer a nossa parte (entregar-se a Deus, manter-se fiel, rezar pelos nosos cônjuges…), cabe a Deus realizar aquilo que ELE, somente ELE é capaz de fazer: O MILAGRE DA CONVERSÃO DOS CORAÇÕES DAQUELES QUE APREGOAM O DIVÓRCIO COMO ALGO BOM.

    Paz e bem!

    LCC
    Brasília-DF

    • Vânia Érica disse:

      Que linda! Quantas vezes nos deparamos com essas pessoas e sem entendimento, mesmo evangélicos que somos, desdenhamos de tais Homens….
      Hoje, vivo em oração pedindo a Deus por nossas famílias, minha família, meu conjugue,por meu filho, por mim. Por todos esses irmãos valentes guerreiros do Senhor.
      Pr Fernando, realmente o Senhor te provê de um dom especial.Além de lutar pela restauração familiar,,,Deus lhe dá a arte de escrever com tanta propriedade e amor.
      Deus o abençôe.

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