Meu testemunho de vida

TESTEMUNHO

Alguém certa vez já disse que um grande milagre de DEUS na vida do homem foi o de ter gerado a própria vida. O maior de todos os milagres, em minha opinião, é o de proporcionar, a esse mesmo homem depois de velho, a possibilidade de uma mudança total de vida, um novo nascimento. Foi o que JESUS disse num diálogo a Nicodemos (João 3:1-11). O apóstolo Paulo confirmou isto quando escreveu uma carta aos crentes em Roma: “Pois se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (5:10). Mas há muitos outros milagres de DEUS espalhados pelo mundo, histórias que hoje servem, não para fomentar angústia, tristeza, dissabor nos corações; mas para mostrar o quanto DEUS é poderoso para fazer com que o impossível se torne possível em nossas vidas. Quando JESUS morreu na cruz em nosso lugar e ao terceiro dia ressuscitou, ali ELE determinara a toda pessoa desse mundo, por mais miserável que possa parecer, por mais inútil que seja, que nunca se esqueça de que nEle ESPERANÇA sempre teremos.

Ano de 1992… Um sonho que se tornou pesadelo.

Aos 19 anos de idade, eu acabara de escrever o meu primeiro livro de poesias, Retalhos de Solidão, e como não tinha recursos financeiros para publicá-lo, decidi organizar um “Festival de Prêmios” no bairro onde morava, com a finalidade de arrecadar dinheiro para a realização do meu sonho. Praticamente sozinho, vendi mais de 10 mil cartelas de bingo em quase 12 escolas públicas do bairro de Rio Doce, em Olinda (PE). Caminhava de sala em sala, em todos os turnos e séries, conversando com os alunos, professores, funcionários. No final do dia, chegava em casa bastante exausto. Comprei os prêmios, divulguei em algumas emissoras de rádios, convidei atrações musicais, solicitei estrutura física à Prefeitura de Olinda, segurança à Polícia Militar e autorização à Delegacia de Costumes para a realização do evento. A data marcada: 24 de outubro, um sábado. Local: antiga praça da 3ª Etapa, onde se instalava a única delegacia de polícia do bairro. Chegada a hora do evento (20 horas), uma multidão se comprimia nas arquibancadas e boa parte também na avenida principal. Após as atrações, o locutor iniciou o Festival, que tinha por prêmios uma bicicleta, um jogo de estofados, uma máquina de lavar e um aparelho de som. Tudo parecia normal, quando, no início do último prêmio, por volta da meia-noite, uma pane elétrica interrompeu o evento. Chamei a Companhia de Eletricidade de Pernambuco que veio a normalizar a luz meia-hora depois. Reiniciou-se, dessa forma, o último prêmio. Mas, por infelicidade minha e do público, o problema voltou a ocorrer passados alguns minutos. Novamente a Companhia de Eletricidade foi acionada. Porém alguns mais exaltados tumultuaram o evento, exigindo a restituição de volta do dinheiro. Foi quando dois homens fortes apareceram em minha frente (e percebendo a minha aflição) me acompanharam até a delegacia de polícia (para melhor segurança a minha integridade física). Só não imaginaria as tristes horas que viveria naquele lugar. Logo que cheguei, os agentes policiais pediram que eu colocasse todo o dinheiro arrecadado do dia sobre a mesa do comissário. Mal ouviram a minha explicação e me conduziram a uma sala fechada nos fundos da delegacia. Lá me submeteram a diversos tipos de tortura (socos, pontapés, murros violentos na região do abdômen, braços, pernas, ouvidos etc.). Eram aproximadamente uns cinco homens. Depois tiraram minha roupa e me deixaram encarcerado com mais um “preso” numa cela escura. A esta hora já não raciocinava mais sobre nada. Parece que meus sentidos deixaram de responder. O homem que se encontrava preso comigo me disse que era também agente daquela distrital de polícia e que só estava naquelas condições porque não compartilhara com os atos abusivos e de desonestidade daqueles outros policiais. Por isso, fora vítima de uma armadilha: os próprios “colegas” colocaram maconha em seu automóvel e o prenderam injustamente. Também fiquei sabendo na prisão que atos de tortura contra pessoas inocentes eram prática comum naquela delegacia: há alguns meses um turista baiano teve seus equipamentos eletrônicos roubados e também fora submetido a torturas físicas e psicológicas. Já não sabia mais o que teria se passado com o último prêmio nem com o término do festival. Apenas me lembro, que as sessões de tortura voltaram a acontecer, desta feita com a ameaça de que só parariam quando eu lhes entregasse o último prêmio. Se o objeto cobiçado não aparecesse, eu seria torturado, morto e o meu corpo jogado num matagal. Conduziram-me pela porta detrás a uma viatura e iniciaram ali uma longa peregrinação comigo em busca do objeto. Foram a minha casa, a casa de alguns parentes e nada. Já se passavam das três horas da madrugada. Lembro-me também de que numa das avenidas mais movimentadas de Olinda a viatura enguiçou em frente a um Quartel do Exército. Era uma madrugada de muita chuva. Eles me forçaram, sob mais torturas físicas, a fazer com que o automóvel voltasse a funcionar, o que ocorrera um tempo depois. Meu corpo já não reagia às agressões. Dor não mais sentia. É como se tudo em mim estivesse paralisado. A esta altura, alguns dos meus parentes (ligados ao Poder Judiciário) já teriam peregrinado em várias delegacias a minha procura, inclusive, na delegacia de Rio Doce, onde ali não foram informados sobre o meu desaparecimento. Vivi momentos terríveis. Eram torturas físicas e psicológicas. Quando eu estava chegando ao limite do sofrimento, o celular de um deles tocou, informando-o que o último prêmio fora entregue na delegacia e que eles me trouxessem de volta, pois havia parentes meus de grande influência social que poderiam denunciar o caso. Voltamos para a delegacia. Fui obrigado a relatar e a assinar na frente de alguns tios que nada de mal eles haviam feito a mim, apesar das visíveis marcas em meu corpo. Fui liberado por volta das cinco horas da madrugada. O sol já nascera, mas para mim, a noite e o pesadelo pareciam não ter fim. Ao chegar em casa, após tomar um banho e alguns remédios (pois não conseguia nem falar), tive uma crise compulsiva de choro durante muitas horas. No mesmo ano de 1992, apenas dois meses depois, os mesmos agentes, agora com a anuência do delegado titular, participaram da tortura de um jovem de classe média do bairro de Boa Viagem, em Recife. O jovem, chamado Sergei Queirós de apenas 21 anos, fora levado para o mesmo palco onde outras vidas ali sofreram, mas com um fim bem diferente. Seu corpo não suportou torturas de choque elétrico e Sergei chegou mesmo a falecer no interior daquela delegacia de polícia. O corpo fora abandonado num matagal do interior de Pernambuco. O caso ganhou repercussão nacional e internacional. Somente em 2005, a Justiça determinou a sentença dos acusados: mais de 23 anos de prisão fechada.

Hoje decorridos 18 anos daquela atrocidade vivida por mim, ninguém da minha família prefere recordar. Evocar a memória é doloroso demais; é reabrir feridas já cicatrizadas pelo Amor e o Poder de JESUS CRISTO; é levantar perguntas que talvez não possam ser respondidas. Mas recordar é preciso. É o mínimo que devo às pessoas que hoje me acompanham na caminhada cristã. No meu caso, é a imortalidade de minha alma que provém da recordação. Se eu me cansasse desse assunto, se dissesse “chega! É coisa do passado”, estaria negligenciando tão grande livramento e profundo testemunho que o Senhor JESUS proporcionou a minha vida. É preciso recordar não no espírito de vingança e de revolta. Recordar é levar esperança a pessoas que viveram e vivem situações parecidas ou piores como a que vivi. Não com a finalidade de fomentar o ódio, repito, mas de crer que DEUS sempre esteve, está e estará no controle de minha vida. JESUS CRISTO me deu uma nova vida com ELE no dia 26 de novembro de 2000. Maior milagre, esse que não merecia, é o de ser glorificado em JESUS. Pois eu peco, eu me arrependo, em CRISTO tenho confiança; eu amo, um dia descansarei; um dia ressuscitarei; um dia vencerei.

Recife, 24 de outubro de 2010.

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é líder do Ministério Famílias para Cristo.

10 respostas para Meu testemunho de vida

  1. VANESSA ARAÚJO disse:

    Fernando, que a Paz do Senhor esteja convosco!

    Ao ler alguns de seus artigos,no Web Servo, (por exemplo Sexo antes do casamento) meu coração se alegrou pela sua vida. Louvado Seja o Senhor! A igreja precisa ouvir a verdade, por mais que doa, a igreja precisa ouvir o que é bom para ela. Que Deus continue usando vocÊ como um instrumento para pregar a verdade e NUNCA o que as pessoas querem ouvir, pois existem falsos pastores que estão conduzindo as suas ovelhas para o caminho mal pregando doutinas falsas. Fernando gostaria de contar a minha história para você.

  2. Miriam Valente disse:

    É acho q vou comentar tudo q eu ler aqui. 🙂
    Que testemunho tremendo amado de Deus!!! Que livramento!!! Glória Deus!!!

  3. Diana Antonia da Costa disse:

    Fernando, a Paz do Senhor!!!!

    Eu louvo a Deus pela sua vida, que testemunho lindo. Recebi alguns email de estudos feitos por você sobre casamento, divórcio e novo casamento, e achei muito interessante, pois hoje nas igrejas, o povo de Deus está querendo viver os conceitos do mundo, e não a vontade de Deus pra nossas vidas. Infelizmente está muito alto o indíce de separação no meio evangélico, e um pecado gera outro pecado, pois separam e depois se acham no direito de se casarem novamente, e ainda dizem ter base biblíca para essa nova vida. Gostaria de relatar minha história a você, pois sou casada a 1 ano e 9 meses e a 4 meses meu esposo saiu de casa. Mas eu estou buscando a restauração, pois creio no milagre do Senhor no meu casamento.

  4. silvana sutelo disse:

    Que a páz esteja contigo,lindo testemunho,DEUS jamais esquece um filho seu.

  5. Eracly disse:

    Fernando, o seu testemunho é um testemunho de superação, de que Deus, o nosso Deus, é real Ele tem o controle sobre tudo e sobre todos.
    E cada um de nós fomos criados com um propósito idealizado por Ele.
    Eu glorifico a Deus pela tua vida, pois o teu ministério tem me ajudado muito.
    GLÓRIA A DEUS!!!!!!!!!!!!

  6. Gisele C C Louback disse:

    Querido fernando, seu testemunho é lindo, sua superação com a ajuda de Cristo foi verdadeiramente um milagre, pois uma situação como essa deixa muitos traumas emocionais. Deus te abençõe querido!!!
    ALELUIAS!!!

  7. marlene brambilla disse:

    fernando;seu testemunho serve para todos que estaõ pensando em desistir , todos que estaõ cansados . Deus te ilumine e continue escrevendo . pois varios lares estaõ sendo restaurados atravez de vc servo de Deus . esei que o meu milagre eu vou receber . Obrigada…

  8. marlene brambilla disse:

    fernando;seu testemunho serve para todos que estaõ pensando em desistir , todos que estaõ cansados . Deus te ilumine e continue escrevendo . pois varios lares estaõ sendo restaurados atravez de vc servo de Deus . esei que o meu milagr…

  9. Vanilda Carmen disse:

    Pr. Fernando o senhor é uma benção nas nossas vidas. Deus lhe abençoe sempre.

  10. Pollyanna disse:

    Pr. Fernando seu testemunho é impressionante mesmo, Deus faz maravilhas. Eu preciso muito de aconselhamento seu com relação ao meu casamento, te mandei um e-mail com minha história, aguardo sua resposta, estou muito anciosa e precisando de uma palavra honesta de um verdadeiro homem de Deus que és.

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